Lembro como se fosse hoje aquele Palmeiras contra o Coritiba, na final da Copa do Brasil de 2012. Quando foi decretado o título da equipe paulista, o primeiro nacional de expressão depois de anos e anos, eu virei para alguma pessoa que estava em êxtase do meu lado e falei: “Eu não sei comemorar título”. E é a mais pura verdade. Nenhum palmeirense esconde de ninguém que o time passou por uma maré feia. O primeiro título que eu assisti sendo real torcedor do Palmeiras foi o retorno à elite em 2003, contra o Botafogo. De lá pra cá, um paulistinha ali e uma Copa do Brasil e meia lá, nada muito relevante. Digo “uma Copa do Brasil e meia” porque em 2012 caímos para a segundona novamente. Aquele título nacional ficou meio manchado. Jogar a Libertadores estando na Série B foi um tanto quanto esquisito, convenhamos.

A última vez que o Palmeiras foi campeão Brasileiro – o título nacional mais importante – foi em 1994, ano em que eu nasci. Eu sou daqueles que os tios falam: “Esse aí não viu o Palmeiras ser campeão Brasileiro”. E eu realmente não vi. Não faço a menor ideia de como é ser campeão brasileiro. Lembro quando, em 20o9, batemos na trave. Quando terminou o jogo que acabou com as chances até mesmo de Libertadores naquele campeonato que quase levantamos o caneco, eu tomei como certeza que não veria tão cedo o Palmeiras ser campeão Brasileiro. Mas não demorou muito e a nossa hora chegou. É o nosso momento. Virem os holofotes para o Palmeiras! Virem também para mim: eu vou ver o Palmeiras ser campeão Brasileiro pela primeira vez.

O Campeonato Brasileiro de 2009 me traumatizou de uma maneira sem igual. A prova disso é que estamos perto de terminar o campeonato e o Palmeiras deve ser campeão já neste domingo. Joga em casa, contra a Chapecoense, nada pode atrapalhar. Mas o trauma de 2009 me faz ter medo. “Mas e se o Palmeiras perder pra Chape, desanimar, perder do Vitória, e o Santos ganhar as duas e for campeão? Vai ser a maior chacota do século”. E eu tenho realmente medo disso. Enquanto escrevo esse texto, por exemplo, estou simultaneamente imaginando: “E se eu escrever esse puta texto, todo arrepiado, e o Santos for campeão brasileiro?”. É o trauma de 2009.

É foda.

Converso com amigos corintianos e todos reconhecem que não tem como tirar esse título do Palmeiras. Converso com qualquer pessoa e todas são capazes de responder que o Palmeiras fez todo o necessário para ser campeão e que ninguém vai tirar isso do Verdão nessa altura do campeonato. Eu sei que ninguém vai tirar esse título, mas trauma é trauma…

Quanta loucura, não é? Passa mil coisas na minha cabeça e é só futebol. Mas eu fico imaginando meu pai, que viu o Palmeiras ser campeão pela última vez comigo no colo, em 94, e domingo vai estar vendo o Palmeiras ser campeão do meu lado, 22 anos depois, tomando uma cerveja que em 1994 ele não fazia ideia se eu ia gostar ou não; fumando um cigarro que em 1994 ele não fazia ideia se eu fumaria ou não, falando sobre assuntos que em 1994 ele não sabia se eu gostaria de falar. Se pra mim é espetacular ver o Palmeiras ser campeão, imagina para alguém que está esperando isso acontecer novamente há 22 anos.

Fora as minhas ideias, tem o futebol. E como o futebol do Palmeiras evoluiu, rapaz! É gostoso ver esse time jogar: ver Dudu vivendo um grande momento, ver Gabriel Jesus ser decisivo, Ver Zé Roberto dar o sangue de garoto, o meio de campo organizado, goleiro e goleiro reserva no mesmo nível técnico, técnico cabeça. Cuca firme. E mesmo quando o Palmeiras joga mal, vence. Time com cara de campeão também precisa contar com a sorte. Ambiente descontraído é ambiente de time campeão. Não se vê mais fotos de brigas e matérias de problemas políticos, financeiros e entre jogadores. Pela primeira vez desde 2001, o Palmeiras tem um time com espírito de campeão e isso faz toda a diferença.

Pra domingo, os ingressos para o jogo do Palmeiras, na Arena, já estão esgotados. Isso quer dizer que eu não vou ver, pela primeira vez na minha vida, o Palmeiras ser campeão dentro do estádio. Mas isso não é um problema. Eu acredito que outros títulos virão, outras oportunidades virão. Esse primeiro título eu aproveito para assistir ao lado do meu velho. 22 anos depois…

Vou mostrar esse texto pra ele quando o Palmeiras for campeão.

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