Só quem é palmeirense entende o que é ser líder do Campeonato Brasileiro hoje, com quatro pontos de vantagem para o Flamengo. Só quem é palmeirense. Isso porque nenhum grande clube brasileiro tem um histórico tão pessimista na principal competição nacional. Há 22 anos nós ganhávamos o último Brasileirão. É inaceitável um time do tamanho do Palmeiras ficar tanto tempo sem um título de tal importância. Mas não bastando isso, caímos duas vezes para a Série B, ambas doídas, em 2002 e 2012. Em 2009, o caneco bateu na trave. Nenhum palmeirense aguenta mais as piadas sobre esse título. É uma piada que não cabe para nós. É uma piada muito baixa se comparado ao tamanho da história do Palmeiras.

Esse ano, a esperança caminha lado a lado com cada torcedor palmeirense. Nós sabemos que a chance de título é grande. O Palmeiras joga arrumado, toca bola com precisão, tem velocidade, boa jogada aérea e jogadores decisivos. Mesmo quando joga mal, ganha ou empata. Isso chama sorte e todo campeão precisa ter sorte também. Contudo, parece que ninguém quer ver o Palmeiras na liderança. A piada é boa demais para acabar. É como o Corinthians com a Libertadores. Ninguém queria que o Timão ganhasse aquela Libertadores, fora os corintianos, pois a piada era muito boa para acabar. Acabou. Esse ano a história pode se repetir com o Palmeiras.

Mas vamos problematizar. Arbitragem brasileira é algo para ser estudado por especialistas. Ninguém consegue entender o que é a arbitragem brasileira hoje. Eu chuto: é uma desorganização sem tamanha. Fico vendo árbitros voltando atrás em jogadas claras e tento entender a pressão que se passa na cabeça de árbitros e assistentes. É fácil para nós, torcedores, exigirmos olhar apurado e firmeza nas marcações. Ninguém sabe o que é ser árbitro, além dos próprios árbitros. Em um momento de modernização do futebol mundial, ser árbitro não pode mais ser da forma que é no Brasil. Isso é uma certeza. A exigência precisa ser para que a Confederação Brasileira de Futebol invista na carreira de árbitros e assistentes. O primeiro passo poderia ser profissionalizar as funções. Dessa forma, árbitros dedicariam muito mais tempo ao futebol, estudos e treinos.

Dito isso, vamos voltar ao Brasileirão 2016. Criticar a arbitragem sempre foi um mecanismo padrão de torcidas, jogadores, treinadores e dirigentes, mas acontece que, nesse ano, estão querendo criar teorias da conspiração. Sem síndrome da perseguição, mas me parece que essas teorias só estão acontecendo porque o líder é o Palmeiras.

Se existe alguém que não pode pagar o pato pelas lambanças da arbitragem, esse alguém é o Palmeiras. Todos os anos as críticas à árbitros é intensa, mas, neste ano, a coisa piorou. Diversos portais e blogs de opinião dão o possível título palmeirense como “título manchado”. Isso quer dizer, em linhas grossas, que o Palmeiras pode até ser campeão, mas terá a mancha na faixa de um empurrãozinho da arbitragem. Isso não pode acontecer.

A CBF sempre passou panos frios nas discussões sobre erros de arbitragem ou erros internos. As Federações estaduais também, principalmente do Rio de Janeiro.

O Palmeiras não tem nada de faixa manchada. Os erros da arbitragem deste ano, que estão sendo muitos, precisam ser tratados como um problema único e exclusivo da CBF. Precisa ser analisado com um olhar técnico diante dos fundamentos básicos de se apitar um jogo de futebol. Time nenhum pode pagar o pato pelos erros da arbitragem.

Esse texto não é clubista. A intenção não é passar a mão na cabeça do Palmeiras. Poderia ser outro clube na liderança, um Atlético Mineiro, Grêmio, Santos. Não importa. São clubes que não podem pagar o pato pelos erros da arbitragem. Não cito Corinthians e Flamengo, pois são os dois maiores times do Brasil e envolvem questões de massa e interesses que quem olha de fora não entende. Também não cito os outros clubes cariocas, pois a Ferj é sujeira pura e isso acaba prejudicando a imagem dos times de lá. Mas parece que existe uma necessidade de desvalorizar tudo que é feito pelo Palmeiras. Sempre foi assim.

O Palmeiras tem jogado futebol dentro de campo apenas. Cuca tem essa consciência, Paulo Nobre também e todos os jogadores do clube. O Palmeiras precisa desse título. Não é mais questão de querer, mas sim precisar. Nós não temos tempo para jogar futebol fora das quatro linhas. Não temos tempo para arrumar confusão com arbitragem ou confederação. Nós temos urgência em ser campeão brasileiro. Se todos conseguissem entender o nosso desespero, entenderiam que nosso único interesse é poder gritar um grito entalado há 22 anos.

Sem clubismo, sem mimimi, sem título manchado. O Palmeiras não vai pagar essa pato!

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