E não é que quando a torcida gremista já dava esse longo 2016, pleno de fracassos, como encerrado, a Conmebol anuncia mudanças na Libertadores já para 2017, aumenta em duas as vagas para brasileiras para a competição (podendo chegar a três, caso o Campeão da Copa do Brasil seja um dos seis primeiros do brasileiro) e faz renascer a esperança de que esse ano, afinal, possa não ser totalmente perdido?

Claro que, a atrapalhar esse “sonho” (que, considerando as últimas participações do Grêmio no torneio sul-americano, mais tem se aproximado de um pesadelo), temos o time gremista e sua rematada incompetência!

O Grêmio mudou tudo com a chegada de Renato, que veio para liderar o vestiário e, acredito, tentar dar um pouco de alma, de indignação, para um grupo acomodado e covarde (e, não menos verdade, limitado em termos de qualidade) que, neste campeonato, não conseguiu buscar sequer um empate nas partidas em que saiu em desvantagem no marcador. Pelo que se viu nesses quatro primeiros jogos (três atuações horríveis, lastimáveis, contra Atlético-PR, Chapecoense e Cruzeiro, e uma boa atuação contra o Palmeiras), o novo treinador melhorou alguma coisa na bola parada, tanto ofensiva como defensiva (principal defeito do time de Roger durante todo esse ano), e por aí ficamos. E nem é possível exigir alguma coisa além disso do Renato, pois desde que chegou mal teve tempo para treinar.

A forma de jogar do time já mudou drasticamente. O toque de bola do tempo de Roger já não existe mais. O Grêmio já não propõe o jogo, espera o adversário para tentar sair em contra-ataque, abusando da bola longa (muitas vezes um mero eufemismo para “balão”). Só que, na maioria das vezes, especialmente na derrota para o Cruzeiro, essa bola, nas poucas oportunidades em que chega ao homem mais adiantado, o encontra sozinho, rodeado de zagueiros. O Grêmio chega pouco (muito pouco) à frente, com poucos (muito poucos) jogadores que, ainda por cima, parecem sempre longe (muito longe) uns dos outros. Certamente pela falta de qualidade do elenco (você depender de um Henrique Almeida, de um Guilherme, para mudar alguma coisa em meio ao jogo é certeza de fracasso), Renato optou por um estilo muito semelhante ao adotado na sua última passagem por aqui: jogar atrás por uma bola. Não deu certo daquela vez e, sinceramente, não acredito que vá funcionar agora.

Entretanto, se taticamente as coisas mudaram bastante (ou totalmente), em outro ponto elas continuam EXATAMENTE IGUAIS: a falta de brio, de ânimo, de imposição, é o mesmo com Renato ou Roger! Que time sem sangue esse do Grêmio! Se na Arena ainda consegue, eventualmente, atuações muito boas e até surpreendentes (como foi a vitória contra o Palmeiras), fora de casa o time se “acadela” e vira uma presa fácil para qualquer adversário! Impressionante como o Grêmio “se entrega” longe de casa! O jogo vai se acomodando, vai tomando uma forma que, com 15, 20 minutos, o torcedor já sabe que o Grêmio vai perder. É só uma questão de tempo e de sair o primeiro gol. Talvez aí esteja o maior trabalho a ser feito pelo Renato: dar a esse time um mínimo de CULHÕES!! (desculpem a expressão, mas é a mais adequada).

Aliás, vejo ultimamente uma mobilização muito grande da IVI (Imprensa Vermelha Independente) no sentido de “mobilizar” o Grêmio a tirar pontos dos adversários do co-irmão na luta pelo rebaixamento. E de parte da torcida para que o Grêmio “entregue” esses jogos. Mais especificamente Cruzeiro, Vitória e Figueirense. Todos fora. Não percam tempo, nenhum dos lados. O Grêmio vai perder esses jogos (como, aliás, já perdeu para o Cruzeiro) ao natural, como vem fazendo desde o início desse brasileiro.

Enfim, a verdade é que, apesar de todas as suas precariedades, essas duas (talvez até três) novas vagas na Libertadores abriram uma nova perspectiva para o Grêmio. Mas para isso o time  vai ter que reescrever a sua história nesse campeonato. O Grêmio DESAPARECEU, AFUNDOU nesse segundo turno! A crise técnica de alguns jogadores, em especial Wallace e Luan, é impressionante. Some-se a isso a acomodação, a falta de ambição e de reação desse time deprimido e deprimente, e o que se tem é que mesmo essas seis vagas hoje parecem mais distantes do que nunca! Cabe ao Renato, com sua liderança (talvez sua principal característica), injetar um pouco de confiança e animação nesse grupo, para que as expectativas gremistas nesse final de ano não se resumam a, para mim ainda improvável, queda do rival para a segunda divisão.

 

 

 

 

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