Setembro. Onze rodadas para o fim do campeonato brasileiro. Grupo formado, sem possibilidade de reforços. É nesse cenário que Renato assume o Grêmio e tenta um novo milagre, como aquele que alcançou em 2010. É assim que o clube tenta um recomeço buscando salvar a fracassada gestão do Presidente Romildo. Convenhamos, diante do que temos visto em campo, nosso maior ídolo vai ter que tirar da manga todo o seu estoque de mágica para fazer nosso time chegar a algum lugar.

Difícil entender as causas que levaram ao desabamento do Grêmio nesse brasileiro. O time vinha razoavelmente bem até o empate contra o Galo na Arena. Embora irregular, como foi durante todo esse 2016, vinha se mantendo na briga pelo G4, e,  inclusive, próximo do líder Palmeiras. A partir dali, o time sumiu. O que se viu depois daquele jogo foi um Grêmio RIDÍCULO (com exceção da partida contra o próprio Palmeiras) tática, técnica e, principalmente, animicamente. Nos FIASCOS diante de Coritiba e Ponte Preta, pouco se viu do time formado por Roger. As trocas de passes sumiram. Contra a Ponte, o Grêmio já foi só ligação direta. Para mim, ao contrário do que afirma a imprensa, Roger perdeu o vestiário, por algum motivo obscuro. O time parou de jogar da maneira por ele implantada e não mostrou a menor disposição, a mínima combatividade que se esperaria de um grupo que pretendesse manter seu comandante.

Seria a saída Giuliano? Lógico que esse faz falta, primeiro por ser bom jogador, segundo pela péssima reposição. Aliás, talvez seja até injusta a crítica ao Negueba, uma vez que ele não atuou mais do que quatro ou cinco vezes desde que chegou, sofrendo com seguidas lesões. Mas será só isso? Tudo bem que a ausência de Giuliano afetasse o time taticamente, mas será que a sua saída explica o fato de que Douglas não acerta um passe há quatro jogos, que Luan não conseguiu acertar um drible no mesmo período, que Wallace está totalmente dispersivo, parece em qualquer outro lugar menos no jogo, que o esforçado ciscador Guilherme tropeça no bola contra Palmeiras e Chapecoense, na hora de disparar livre rumo ao gol, que Marcelo Oliveira continua precário na marcação e desistiu de passar do meio campo, que o futebol de Jailson desapareceu, que até Geromel já parece um zagueiro comum? Me parece que não, esse gigantesca crise técnica que se abateu sob o time não se deve, toda ela, a saída de Giuliano.  Da mesma forma, não acredito que a “crise” criada pelos cartolas no vestiário tenha reflexos tão grandes a ponto de acabar com o time, como aconteceu.

Nesse contexto onde só uma solução mágica poderia salvar o ano, escolheu-se a “menos mágica” delas: Renato. Digo “menos mágica” pois, ao contrário dos outros nomes ventilados, Renato já conhece o clube e mais, tem enorme liderança e fecha o vestiário. Essa, com certeza, é sua grande e mais importante virtude nesse momento. Porque esperar dele que, sem grupo e sem tempo, consiga estabelecer grandes mudanças táticas, seria até uma injustiça. Verdade que, nos seus dois jogos como treinador, já se vê diferença com relação ao time de Roger. O Grêmio já não se importa em ter tanto a bola, pelo contrário, parece preferir que ela fique com o adversário, para partir em contra-ataque quando a recupera. Mas exagera dos lances longos e do chutão pra frente. Foram muito ruins as atuações contra Atlético-PR e Chapecoense. Embora um pouco mais combativo, o time continua sofrível na parte técnica.

E assim nós vamos para a última “aposta” do ano e da fracassada gestão Romildo. A Copa do Brasil. E logo contra o Palmeiras, hoje o melhor time do Brasil. Todo o ruim é azarado. Quem viu as últimas atuações de Grêmio e Palmeiras conclui que só um milagre nos leva à fase seguinte. Ou a “mágica” de Renato, que nas suas passagens anteriores conseguiu recuperar times tão perdedores quanto esse em poucas rodadas. Esse será seu grande desafio, recuperar ao menos animicamente um grupo que perdeu TODAS as partidas em que saiu em desvantagem no campeonato brasileiro, que tem um dificuldade enorme em fazer gols, cuja defesa vazou o ano todo, tomando gols dentro e fora de casa. Olha, Renato vai ter de ser de fato um herói para levar esse Grêmio a algum lugar.

 

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