Antes de mais nada vamos separar as coisas: parabéns ao Grêmio pelos seus 113 anos de glórias, de conquistas, parabéns pelo fato de ser um dos maiores clubes DO MUNDO, por mexer com a paixão de tanta gente. Parabéns, enfim, pela sua história. Isso é maior do que tudo. Se o “momento” do clube (que já dura quinze anos…) não condiz com a sua grandeza, bem, isso é circunstancial, NADA apaga aquilo que já foi escrito.

No entanto, se olharmos para o que é o clube HOJE, a verdade é que há pouquíssima coisa a se comemorar. E não estou falando do fiasco de ontem em Campinas, apenas mais um na medíocre campanha desse 2016 que, futebolisticamente, já parece se encerrar em setembro. Me refiro a toda a campanha desse ano (mais um ano…) fracassado, onde o time viveu de lampejos e jamais conseguiu manter uma regularidade que pudesse criar no torcedor a confiança de estávamos diante de um grupo vencedor.

Caiu Roger. Até aí nada demais. O Grêmio não começa e termina um ano com o mesmo treinador desde 2008. Ademais, acho que já havia esgotado seu trabalho. Há tempos que nada mais tinha a oferecer. Surgiu muito bem no primeiro turno do brasileiro do ano passado, mas seu trabalho já dava mostra de queda desde o segundo turno daquele mesmo campeonato, culminando com os FIASCOS na Libertadores e no Gauchão desse ano, e com a campanha medíocre nesse brasileiro. Nesse ano, 46% dos gols tomados pelo Grêmio foram de bola aérea, e o treinador não conseguiu corrigir esse defeito. Continuou marcando por zona a bola parada. Continuou insistindo com Marcelo Oliveira, Ramiro, Henrique Almeida. Indicou Fred, Negueba, William Schuster, avalizou Kadu. Não foi capaz de criar um esquema alternativo, quando aquele implantado em 2015 já dava claros sinais de esgotamento. Abriu mão do seu maior acerto, Luan na posição de falso nove, para “achar” um lugar para Bolaños, pois Luan, segundo ele, “fechava melhor o corredor” do que o decepcionante equatoriano. Ou seja, abriu mão do melhor para favorecer o pior. E, por fim, para resumir (poderia enumerar mais uma série de equívocos), me parece que perdeu o grupo. Sim, porque a falta de vontade, a falta de competitividade mostrada pelo time nos jogos contra Botafogo, Coritiba e Ponte Preta não me parecem nem de longe a atitude de um grupo que quer manter seu treinador. O Grêmio se arrastou de forma medíocre e deprimente nesses jogos. Acho que acabou a relação depois que Maicon mandou-lhe calar a boca durante o jogo contra o Galo.

Mas seria tudo culpa do treinador? Certamente que não. Roger é bom técnico, com potencial para chegar a ser muito bom. Errou MUITO, erros esses muitas vezes disfarçados pelo seu “futebolês” que encantou parte da imprensa.  Tem muito o que aprender ainda, principalmente em termos de escolha de jogadores, mas não podemos deixar de falar do grupo do Grêmio. E não vou me referir aqui à parte técnica, mas à parte anímica. O Grêmio até agora, nesse brasileiro, perdeu TODAS, repito TODAS!! as partidas em que tomou o primeiro gol. Não conseguiu buscar sequer um empate! Ora, isso para mim diz muito a respeito do caráter desse grupo. Um grupo frio, covarde, acomodado. Um grupo que não tem imposição técnica e nem moral para reverter um resultado. Um grupo que se prostra, que se abate, que se entrega diante da menor adversidade. Mas um grupo que discute com afinco a sua premiação, que, para minha surpresa, hoje é paga por vitória e até por empate (?!?). Mas por empate “depende do tamanho do adversário” (ah bom…). Posso ser ingênuo, pode ser que hoje todos paguem assim, mas até pouco tempo o Grêmio pagava por objetivo, o que é muito mais correto e adequado (para o clube, claro, e não para um grupo canalha, covarde e perdedor e viciado em premiação como esse). Coincidentemente, a “queda de produção” iniciou a partir do momento em que se publicizou uma alegada “divergência” com relação a esses pagamentos.

E por fim, chegamos à direção, que, afinal, formou esse grupo. A entrevista do fracassado politiqueiro estelionatário eleitoral Romildo Bolzan ontem foi uma pérola. Insistiu no “sucesso” do “projeto” da “juvenilização”, da aposta nas categorias de base. Ok, esse é um discurso fácil que sempre fala bem à torcida. Vamos valorizar a prata da casa. Mas, afinal, com toda essa “aposta”, com todo esse “projeto”, que jogadores surgiram nesses dois anos? Wallace, Jaílson, Everton e Pedro Rocha (e esses três últimos ainda tem MUITA COISA a provar). Para mim, considerando o discurso, é muito pouco. Quanto ao ponto, chama a atenção a péssima campanha do Grêmio nos dois últimos brasileiros sub-20, especialmente nesse último, onde foram utilizados vários jogadores do chamado “grupo de transição”. Aliás, com um time formado praticamente apenas por jogadores desse “grupo”, o Grêmio tomou 3×0 ao natural para o co-irmão num Grenada sub-20 disputado há alguns dias. Então, só para constar, não adianta apostar numa base sem qualidade.

Romildo, ainda, se jactava (não na entrevista de ontem) de “ter pacificado” o clube. Essa é de gargalhar! Roger caiu em meio ao fogo cruzado existente no vestiário, protagonizado por um vice-presidente eleito que por ali transitava e que clara e escancaradamente estava secando o trabalho do vice de futebol que era de um grupo diferente do seu. Como interpretar a colocação de que “se o Guerra tiver sucesso os bônus vão todos para o grupo do Darnlei e do Cacalo”? E o Presidente acha isso um “problema menor”, que nem merece comentário. E realmente um despreparado, um para-quedista que caiu na cadeira presidencial em razão do apoio do ex-presidente Fábio Koff (aliás, de péssima gestão em 2013-2014) e do estelionato aplicado relativamente à compra da Arena.

Mas, enfim, parabéns Grêmio!!! Parabéns, e talvez principalmente, por sobreviver, embora cada vez menor, a esses grupelhos de traíras que estão mais preocupados com as suas vaidades, com as suas vantagens políticas, do que com o sucesso do clube!  (in)Feliz aniversário, que essa gente, para quem uma vaguinha no Conselho e o acesso às cadeiras gold da Arena são mais importantes do que um título, permita que a tua história de glórias continue sendo contada!

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