19jun2013-neymar-comemora-gol-pela-selecao-brasileira-no-duelo-entre-brasil-e-mexico-pelo-segundo-jogo-dos-comandados-de-felipao-na-copa-das-confederacoes-1371669485439_615x470

Eu tenho algumas frustrações na vida que carrego desde sempre. Uma delas é não conseguir desempenhar meu papel semanal neste espaço. Não sei, às vezes me falta palavras. Mas uma das maiores frustração da minha vida foi quando eu tinha dez anos. Meus pais sempre me levaram na igreja quando eu era criança e teve uma época em que eu achava errado gostar de meninas que não iam na igreja. Na escola, eu me apaixonei. Foi paixão à primeira vista, ou melhor, ao primeiro pedido de “posso passar na sua frente?”. Ela queria entrar no meu lugar na fila do lanche da cantina, pois o pai já estava chegando para buscá-la. Eu permiti, eu me apaixonei. Ela tinha olhos lindos. Passamos a conversar com mais frequência no pátio do colégio e eu perdi as contas dos poemas e desenhos que fiz para ela. Numa sexta, ela contou que era católica. Desabou meu mundo. Perdi o chão. Foi ali que senti o primeiro soco na boca do estômago na minha vida. Foi bom para amadurecer.

Outra frustração que carrego no peito chama-se Pelé. Quando eu era criança, e não dava a mínima para questões políticas e sociais, eu via o Pelé como o rei. Eu ia na locadora e alugava o box completo da Revista Placar e que tinha os melhores lances do Pelé, e eu colocava aquilo no meu DVD e passava horas e horas vislumbrado; tentava entender como o Pelé fazia aquelas coisas com uma bola, tentava copiar o rei e o admirava por ter dado uns pegas na Xuxa. Acontece que eu cresci, e, quando a gente cresce, entende o mundo e entende que o Pelé não entende nada. Romário disse uma vez uma das frases mais emblemáticas do futebol: “O Pelé calado é um poeta”. E calado mesmo, mas bem calado. Calado e com a bola nos pés, Pelé era um poeta que escrevi da forma que queria a história do futebol brasileiro e mundial. Hoje, aposentado, lhe resta ficar calado.

Pelé não luta pelos direitos dos negros, Pelé não dá a mínima para o racismo desenfreado que vemos na sociedade, Pelé não se importa em instruir jovens jogadores, Pelé não se importa em mostrar para os jogadores que o futebol vem antes do dinheiro, muito pelo contrário. Pelé não dá a mínima para os preto pobre porque ele não é mais um.

Os tempos são outros, isso é verdade. Lá na época do Pelé, problemas sociais, políticos e financeiros não eram tão debatidos. Mas hoje a história é outra , graças a internet, e eu nem quero falar em Pelé. Deixa o Pelé lá com a sua imensa escrotidão. Eu quero é falar do novo Pelé: Neymar.

Neymar é um grande jogador, não dá para discutir seu talento. Ele tem talento e sabe disso. O Neymar tem potencial para ser um dos maiores jogadores do mundo. Nunca será um Pelé, pois nunca haverá outro igual com a bola nos pés, mas o menino prodígio do Barcelona é uma realidade. Cabe ao Neymar o mesmo ao Pelé: ficar calado.

Neymar fica sempre me frustra. Antes das Olimpíadas, em uma entrevista coletiva, um repórter fez uma pergunta nada boa. Pergunta de jornalista com dor de cotovelo que desaprendeu o jornalismo ainda na faculdade. Quis falar de festas e tudo mais. Um erro. Neymar respondeu bem, com categoria, falou sobre sua identidade com a Seleção e seu compromisso. Neymar é um cara que dentro de campo sabe resolver, independente da farra do dia passado. Neymar não dá falha como outros jogadores que caem na gandaia. Mas a conclusão da resposta foi ruim. Neymar respondeu de uma forma nada clássica. Falou sobre dinheiro, sobre tudo que ele conquistou, quis comparar jornalista com jogador de futebol como se as duas profissões fossem objetos de comparação. Não são, Neymar. Está para nascer um jornalista que consiga ganhar o que você e seus companheiros ganham. E eu estou falando de jornalista de verdade, aquele que está nos bastidores, trabalhando na redação, fazendo pautas sem ter pautas e correndo atrás de informações que ninguém quer correr.

Mas quando o árbitro apita o fim do jogo e o Neymar tira as chuteiras, começa o show de horrores. Neymar não sabe ser inteligente. Neymar não sabe usar seu poder de comunicação para realmente comunicar. É uma voz que poderia estar falando para uma geração, mas é uma geração perdida ouvindo a uma voz perdida. É triste ver que o futebol não faz mais jogadores pensantes e formadores de opinião como foi Sócrates, por exemplo.

Assim como Pelé, Neymar valoriza demais o dinheiro. Das trambiqueiras do pai até o calção meio abaixado para mostrar a marca da cueca. Atitudes que o capitalismo cobra e a gente sabe como funciona. É ali que ele tem que garantir o sustento das outras gerações e ele está certo em fazer isso. Se eu fosse pago para mostrar a marca da cueca para os outros, eu nem me daria ao trabalho de vestir uma calça. Mas a super valorização do dinheiro faz com que o Neymar se torna uma pessoa mesquinha. Nestas Olimpíadas, depois de conquistar o ouro, ele foi bater boca com um torcedor nas arquibancadas. Gritava que “aqui é Brasil”, como se fossemos totalmente dependentes de um menino de 24 anos. Após marcar seu gol contra a Alemanha, gritou bem alto enquanto comemorava: “Eu estou aqui”, como se todos nós estivéssemos dependentes de um jogador. Após a cobrança de pênaltis, foi questionado sobre o nervosismo na hora de bater e disse que não sentiu. Aprendi com um fotógrafo que quando você perder o frio na barriga trabalhando, aquilo ali não vale mais nada.

E parece isso mesmo, parece que o futebol não vale mais nada para o Neymar. O futebol, para ele, é só uma etapa do processo de ser um dos maiores  nome da história do mundo. O Neymar é o maior produto que o futebol poderia apresentar ao mundo, é bonito, gosta de câmeras e se dá bem com elas, sabe jogar bola, rende manchetes polêmicas, tem um filho loiro dos olhos azuis e alisa o cabelo. Neymar é igual o Pelé, não se admite preto. O chamaram de macaco certa vez e ele disse que não se importa, que aquilo não o abala. Umbiguismo. Sabe o que quer dizer umbiguismo? Pensar no próprio umbigo, esquecer uma luta de anos.

Eu não estou aqui para dizer que o Neymar precisar levantar bandeiras políticas, sociais, se filiar a um partido marxista e planejar um golpe comunista. É bom eu falar essas coisas aos ignorantes que ligam “lutas raciais e sociais à esquerda”. Mas o Neymar precisava entender quem ele pode ser melhor do que ele é. Ser bom só dentro de campo não é suficiente. Século XXI, as coisas mudaram por aqui. A informação é mais rápida, mais ampla, mais fácil, mas o Neymar não quer nada disso. O Neymar quer a fama, o dinheiro, as mulheres e ver uma nação inteira dependente dele.

Ele se orgulha demais de ser O NEYMAR. Mas, meu mano… não.

Os amantes do futebol do Neymar dizem que os haters são invejosos, logo, para esses amantes, eu devo ser um invejo, mas não é de sentir inveja? Neymar tem uma casa linda, carros lindos, nenhum problema financeiro, enquanto eu tenho que calcular a gasolina do mês e me matar para pagar a NET. Neymar tem mulheres lindas ao seu redor, pessoas que o admiram, é reconhecido em todo o mundo, é amigo do Messi, joga futebol profissional, ganha dinheiro, conhece gente importante, ganha dinheiro, aparece na TV, se envolve uma global, ganha dinheiro, ganha mais dinheiro, Bruna Marquezine, mais dinheiro, faz festa na Espanha, convida meninas, ganha mais dinheiro, ganha mais mulheres, ganha mais dinheiro, uma infinidade de dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro e dinheiro, usa faixa “100% Jesus”, chora depois do jogo, se emociona, é patriota, ama os animais, ama a família e os amigos, finge que se importa com os mais necessitados, tem Fundação para lavagem de dinheiro… Quem não quer ter tudo isso?

Eu quero, mas se for pra ser igual o Neymar, daí nem quero.

Mas eu admito, Neymarzetes, o Neymar é o modelo perfeito de celebridade, ele é um produtor 100% original, modelo perfeito de jovem que deu certo.

Calado, então, é um poeta.

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2 Responses

  1. Diego

    Que coisa ridícula esse texto!
    Comecei a ler por curiosidade e segui lendo por não acreditar no que tava lendo.

    Inacreditável como os brasileiros perseguem os vencedores, deixa o cara, ele ganha dinheiro jogando futebol e pode falar e fazer o que quiser dentro dos limites da lei.

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  2. José Ramires

    Estranho!
    Pelé…. Neymar….!
    Um universo separa as duas pessoas.
    Pelé é cidadão do mundo. Sua vida particular é propriedade privada. Sua vida pública é exemplo aberto.
    Neymar nunca foi, não é nunca será Pelé.
    Neymar é um menino rico com cabeça de “Bad-boy” – veja com quem ele se encontra… e o que fazem a sós e em grupo.
    Assim como o colunista deu-se o direito de expressar sua ideia, como seu leitor, tenho o mesmo direito de discordar, respeitosamente.
    Se o Brasil inteiro não tivesse levado seu inflamado clamor pelas duas calamitosas primeiras apresentações nestas Olimpíadas, a seleção do Brasil teria continuado no mesmo embalo: descompromisso, descaso, indiferença com as expectativas do povo brasileiro. Foi preciso que o Sr. Tite por lá aparecesse e colocasse ordem na casa, pra que a “gurizada” tomasse atitude de homens.
    Pelé NUNCA precisou disso pra ser o que foi, o que é e o que sempre será; REI!

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