Encerrado o primeiro turno do campeonato brasileiro, a situação do Grêmio na tabela permite otimismo. Considerando uma eventual vitória contra o Botafogo, no jogo adiado para setembro, acabaríamos o turno com 35 pontos, na pior das hipóteses em terceiro lugar, um ponto atrás do líder. A questão é: que torcedor, hoje, diante das últimas apresentações do time, apostaria um cafezinho em uma vitória diante do fraco Botafogo no Rio de Janeiro?

Após a derrota para Sport escrevi aqui que aquele fracasso simbolizava “o fim das ilusões” gremistas nesse campeonato brasileiro. Depois daquilo, o time deu um ânimo à torcida na vitória contra o São Paulo, e retornou à mediocridade que tem caracterizado o ano de 2016 nos deprimentes empates contra América e Santa Cruz. Nessas duas partidas, mais do que os resultados, lamentáveis por se tratarem ambos os adversários dos últimos colocados do brasileiro, estando os dois virtualmente rebaixados, o que de fato assustou foi o péssimo futebol apresentado.

A irregularidade vem sendo a tônica no Grêmio esse ano. O time alterna bons momentos (poucos, é verdade), com fracassos rotundos, vide as fiasquentas campanhas no regional e na Libertadores. É verdade que o Grêmio é um time organizado, que tem um padrão de jogo, e isso é um mérito inegável. No entanto, não é menos verdade que, quando adequadamente marcado, o time não tem alternativa, e insiste na mesma forma de atuação independentemente de não estar dando certo.

Temos um problema de grupo? Sim, com certeza. Qualquer acesso à internet permite verificar que, comparado aos grupos de Palmeiras, Santos e Atlético, o nosso é bem inferior. Talvez o Corinthians e agora, o Flamengo com Diego, também tenham grupos melhores que o nosso. Bolaños ainda não disse a que veio, embora deva ser ressalvado que um jogador estrangeiro normalmente demora um pouco a se adaptar ao futebol brasileiro,além o fato de que vem sendo mal escalado (como referiu expressamente, hoje, o técnico da seleção equatoriana em entrevista a um jornal de POA). Dependemos muito de um quase ex-atleta, Douglas, que durante todo o ano tem vivido de lampejos e simplesmente não tem reserva, já que Lincoln parece ser o tipo de jogador que vai passar direto de promessa a ex-jogador, tão fraco é o seu desempenho e tão pequeno seu comprometimento. A lateral esquerda é um problema diante da péssima fase (que dura o ano todo) do Marcelo Oliveira, e com a insistência de Roger em mantê-lo titular. Para o ataque, com a saída de Bôbo, resta Henrique Almeida, que parece ter sido contratado para afrontar o co-irmão, tão lastimável o futebol que apresentou até agora. A isso some-se a ameaça da saída de Luan, disparadamente nosso melhor jogador, e a venda de Giuliano, que se não foi o jogador decisivo que esperávamos, e não fazia jus ao salário milionário recebido, com certeza era muito melhor que Negueba.  A direção falhou na montagem no grupo e, mais ainda, por não ter aproveitado a janela para reforçá-lo. Parece satisfeita com a luta pelo G4. Que, inclusive, já está ameaçado pelos avanços de Atlético e Flamengo.

Tudo isso e a falta de indignação do grupo, incapaz de uma resposta forte diante da pressão, da necessidade de vitória, parecem levar o Grêmio a um final de ano melancólico. É triste ver que os discursos de indignação (mas nem de longe indignados) não passam de bla-bla-bla para aplacar a ira da torcida, e são esquecidos assim que o time entra em campo. Não discuto a qualidade do trabalho de Roger (embora ache os elogios, às vezes, exagerados, diante dos parcos resultados), inegavelmente bom treinador, sem ele talvez a coisa estivesse até bem pior. Mas esse Grêmio frio, gelado, não tem nada a ver com aquele que faz parte do imaginário do torcedor. Aliás, não apenas esse. Desde a gestão Duda o Grêmio perdeu seu caráter copeiro, desaprendeu a decidir, parece acomodado no papel de figurante, sempre em busca de uma vaga na Libertadores que, invariavelmente, tem resultado em fracasso e decepção diante de uma eliminação precoce no primeiro mata-mata.

 

 

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