Ontem, mais uma edição de Jogos Olímpicos iniciou-se, desta vez no Rio de Janeiro, pela primeira vez na história os Jogos Olímpicos ocorrerão na América do Sul, o Brasil que habituou-se a receber competições esportivas – Pan-Americano 2007, Copa das Confederações 2013 e Copa do Mundo 2014 – está recebendo mais um grande evento. A cerimônia de abertura ainda não ocorreu, mas os jogos já começaram, o futebol – como sempre – inicia-se antes da cerimônia inaugural para ser concluído em tempo hábil, o Brasil estreou nos gramados do Engenhão e com vitória por 3×0 lidera seu grupo no futebol feminino.

Serão 42 modalidades disputadas nas Olimpíadas e com exceção do futebol masculino, é a grande chance que os atletas brasileiros de outras modalidades tem de mostrar seus valores, pois, o acompanhamento dos outros esportes ainda é incipiente no país, mesmo esportes com um pouco mais de investimento e visibilidade, como vôlei e basquete, não recebem atenção próxima a do futebol masculino. Isso reflete nos resultados brasileiros nas Olimpíadas, a falta de investimentos em muitos esportes e o desinteresse do público, além de diversos outros fatores, dificultam resultados significativos à um país que tem como recorde a conquista de 17 medalhas na Olimpíadas 2012 e de 5 medalhas de ouro nas Olimpíadas 2004.

Brasil estreia com vitória, um dos poucos momentos de holofotes do futebol feminino

Brasil estreia com vitória, um dos poucos momentos de holofotes do futebol feminino

Mesmo com esses problemas, o Brasil é um país propulsor de excelentes atletas e que tem resultados significativos em diversos esportes mundiais, para estes Jogos Olímpicos, a expetativa é de recorde de medalhas, tanto no geral quanto as medalhas douradas, mesmo que não devam superar muito o que já foi alcançado, será um avanço inegável caso ocorra e algo importante para recuperar a confiança esportiva do país que vem abalada desde a última desastrosa campanha em Copa do Mundo. Apesar de a derrota ter sido em “apenas” um esporte, foi a derrota do esporte mais popular do país e dentro de casa, uma frustração completa, serviu para mostrar os erros do futebol masculino, e também para abrir os olhos para os outros esportes, mostrar que a força brasileira não pode restringir-se à Copa do Mundo.

Pelas Olimpíadas, o Brasil tem conquistas tão heroicas e importantes como as cinco Copas do Mundo que carrega com orgulho em seu peito, tem tantos excelente atletas quanto foram Pelé, Garrincha, Ronaldo e Romário, mesmo que não sejam tão citados – atletas e conquistas -, o brasileiro deve se orgulhar de seu histórico olímpico, não do processo em si, visto que a atenção dada aos esportes é mínima, mas dos resultados e a partir disso mudar a forma como enxerga cada atleta, equipe e esporte olímpico.

As medalhas brasileiras somam um total de 108, o que representa a nona parte de conquistas estadunidenses, mas isso não significa que as conquistas do Brasil são menores, pelo contrário, são gigantes e não podem ser relevadas. O Brasil tem seu forte olímpico no vôlei, quadra e praia, sempre muito forte e detentor de 20 medalhas, entre elas estão 6 medalhas de ouro, quatro conquistadas em quadra e duas nas areias, o vôlei feminino é o atual bicampeão olímpico, o masculino foi às últimas três finais de Olimpíadas e trouxe um ouro para casa, além de ter revolucionado o esporte com sua geração de prata em 1984.

Na vela, o Brasil tem dois de seus maiores atletas, Torben Grael e Robert Scheidt, ambos com cinco medalhas cada, ambos com ouro em Atlanta-1996 e Atenas-2004, ainda nas águas, dentro das piscinas, os brasileiros vibraram com o ouro olímpico de Cesar Cielo em Pequim-2008, vibraram com as conquistas históricas de Gustavo Borges. Pelo judô, sempre forte, 19 medalhas acumuladas, nas últimas Olimpíadas uma em especial, Sarah Menezes, a primeira brasileira a conquistar um ouro no judô, forte como as mulheres que levaram o basquete brasileiro à prata em 1996.

Robert Scheidt, o principal medalhista olímpico brasileiro

Robert Scheidt, o principal medalhista olímpico brasileiro

No atletismo, esporte símbolo dos jogos, o Brasil tem nomes históricos, entre eles Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão no salto triplo, Joaquim Cruz que foi campeão dos 800 metros em Los Angeles-1984, Maurren Maggi com seu ouro no salto em distância, João do Pulo e os atletas do 4×100 em Sidney-2000 também históricos com suas medalhas, assim como Vanderlei Cordeiro de Lima, detentor de uma medalha Pierre de Coubertin, a maior honraria dos Jogos Olímpicos.

Com uma seleção forte e capitaneada pela melhor jogadora do mundo, Marta, o Brasil conquistou duas pratas no futebol feminino e mostrou ao país que existem mulheres que jogam futebol e muito bem. Em Londres-2012, Arthur Zanetti trouxe a primeira medalha para a ginástica brasileira e ela é de ouro, Yane Marques trouxe o bronze no pentatlo moderno, desconhecido pelo Brasil até os dias de hoje, também são brasileiras as medalhas no hipismo, tiro, boxe e taekwondo.

Não estão citadas todas as conquistas olímpicas brasileiras na lista, mas algumas delas, importantes para valorização do esporte tupiniquim, são conquistas singulares e como citado, equivalentes à qualquer Copa do Mundo já conquistada, no Rio-2016, até os Jogos Olímpicos de futebol masculino podem ser equivalentes, na busca para apagar o 7×1, nada melhor que o inédito ouro olímpico. Inédito para o futebol masculino, pois, as outras modalidades já colecionam algumas medalhas e em 2016 é uma boa hora para aumentar a coleção.

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Amante do esporte, presente em uma das tantas curvas da highway. Mineiro, acima de tudo Cruzeiro. Fã de futebol rápido, não necessariamente rasteiro. Acredita na Copa do Mundo como momento máximo do esporte.

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