Véspera do segundo jogo da final da Libertadores. Momento perfeito para uma análise de uma das melhores e mais organizadas equipes das últimas edições do maior campeonato continental de clubes.

Enquanto vivemos a decadência do futebol brasileiro até em termos continentais, que até pouquíssimos anos atrás possuíamos certa hegemonia (vide títulos de Inter, Santos, Atlético e Corinthians), hoje temos um cenário completamente oposto. Os representantes brasileiros que mais prometiam na competição foram eliminados muito cedo, sobrando para a semi-final o São Paulo, um time que até superou as expectativas, dadas suas limitações e campanhas fracas, até mesmo na Libertadores, quando acabou sendo facilmente despachado pelo Atlético Nacional.

Enquanto vemos nossa decadência, podemos observar equipes de fora do eixo Brasil-Argentina fazendo campanhas surpreendentes há algumas temporadas, e, nesta, protagonizando uma final sem nenhum clube desses dois países, algo que não acontecia desde 1991, quando tivemos o Olímpia, do Paraguai, enfrentando o Colo-Colo, do Chile, que levou o título.

Comemoração do segundo gol de Luis Pérez, do Colo-Colo, na final de 1991

Comemoração do segundo gol de Luis Pérez, do Colo-Colo, na final de 1991

 

Mas, além da decadência do Brasil, também podemos observar a evolução de clubes de fora do eixo citado. Vimos mexicanos participando da última final e caindo nas quartas e oitavas nesta, além de clubes de Colômbia e Equador mostrando um futebol surpreendente e incrível, vencendo os quatro jogos das semi-finais (dois de cada, dentro e fora) contra dois dos maiores ganhadores da Libertadores, São Paulo e Boca Juniors.

Mas, agora falando especificamente sobre a equipe verde e branca da Colômbia, ela tem um dos times mais organizados e de melhor tática que eu vi nos últimos anos neste continente. É um estilo de ataque derivado da aproximação europeia, os jogadores sabem se posicionar de acordo com quem carrega a bola. Todos os atletas da equipe em campo parecem já saber a jogada que irá acontecer e se posicionam no exato local onde o passe pode vir perfeito, como se a troca de bola toda fosse uma jogada ensaiada. Conseguem envolver a marcação adversária com muita qualidade, tem paciência, sabem que o mais importante em jogo fora de casa é segurar a bola e procurar um gol, extremamente importante para encaminhar a classificação. Não tem pressa em definir a jogada, podem trocar passes por quanto tempo precisar.

Borja, em noite que cavou expulsão e cabeceou bola no travessão, além de anotar dois tentos

Borja, em noite que cavou expulsão e cabeceou bola no travessão, além de anotar dois tentos

 

Mas estes aspectos táticos não excluíram a catimba da equipe sul-americana na Libertadores. A simulação de Borja no empurrão de Maicon, expulsando o atleta, a briga pessoal de Berrío contra o goleiro do Rosário Central nas quartas de final, quando o atacante marcou o gol da classificação aos 94 minutos e comemorou fervorosamente na frente do goleiro e depois com a torcida colombiana, sendo expulso.

Comemoração e provocação a Sosa no gol decisivo de Berrío

Comemoração e provocação a Sosa no gol decisivo de Berrío

 

No elenco do clube, vemos destaques, como um segundo volante distribuidor de qualidade induvidável, como o Mejía (vendido ao Monterrey), um volante excelente nos passes como o Pérez (procurado por clubes dos EUA e até o Gent, da Bélgica), um ponta velocista e craque como o Marlos Moreno (rumores do jogador em Valencia e Manchester City), outro raçudo como Berrío e um centroavante pesado e goleador, com um posicionamento sem igual, como o gigante Borja. Além de uma ótima dupla de zagueiros, com Henríquez e Sanchez (já contratado pelo Ajax), um lateral-direito completo, que ataca e marca com a mesma qualidade, como o Bocanegra, o meia-atacante experiente Macnelly Torres, que já passou por vários clubes da América e Armani, que já mostrou sua incrível qualidade debaixo das traves nesse campeonato. Ainda temos reservas de luxo como Ibargüen e Guerra, além do ponta já vendido ao Santos, Copete. Apesar de ser uma equipe muito jovem, não aparenta ter sentido a pressão de enfrentar clubes muito maiores no mata-mata da Libertadores.

O possível título dos verdolagas ou até mesmo do Independiente Del Valle, nos estampa a chegada de novos times bons com táticas novas e jogadores de qualidade no cenário sul-americano. Não é um título contando apenas com a fraqueza dos clubes brasileiros, mas sim um título que mostra a importância da organização técnica no futebol atual. Reinaldo Rueda montou um time que sabe trabalhar a bola, jogar no contra-ataque, paciente, mas ainda assim com raça e catimba latinas. Além de maximizar a qualidade de cada atleta, o técnico montou um esquema de jogo único e eficiente.

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Torcedor de Santos e Spurs. Apaixonado por Brasileirão e Premier League. Tem o sonho de estudar e trabalhar com o melhor esporte já criado.

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