O Cruzeiro vem passando por uma fase muito ruim em 2016. Apesar dos vários reforços trazidos pela diretoria, o time não se encaixa, não entrosa e, assim, não vence. Claro que essa situação não é propiciada por um único fator, mas por vários, que influenciam negativamente na campanha da equipe, especialmente no Campeonato Brasileiro.

Uma dessas razões para o futebol ruim apresentado é o constante rodízio com o qual Paulo Bento, assim como os outros treinadores celestes que passaram pelo clube nos últimos anos, é obrigado a conviver. O fraco departamento médico cruzeirense não é capaz de recuperar os jogadores de suas lesões e, unindo essa incompetência à precipitação no retorno aos treinos e ao campo, o clube perde, constantemente, muitos jogadores com os desfalques.

O setor de recuperação da condição física dos atletas do Cruzeiro é, há anos, um fator que sempre prejudica a chegada do time na disputa por títulos. Mesmo quando o time terminava entre os quatro primeiros no final da década passada, garantindo, assim, a vaga na Libertadores, os desfalques frequentes mostravam que a equipe celeste poderia ter almejado conquistas maiores, se não fosse essa estressante situação de lesões após lesões vividas pelo clube.

Dos vários casos que podem ser citados para reforçar essa desesperadora situação, cito alguns exemplos ao longo dos últimos anos de jogadores que foram prejudicados pelo ineficiente departamento médico do time estrelado.

Edu Dracena

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Esse caso é importante pois revela a desconfiança que os próprios jogadores tinham com Ronaldo Nazaré que, apesar de suas credenciais de médico de seleção, deixava a desejar em seu trabalho no Cruzeiro. Quando Dracena teve de corrigir uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito, em 2004, se recusou operar com Nazaré, indo até São Paulo para operar com um especialista de sua confiança, Joaquim Grava.

Esse caso mostra como o problema médico no clube é antigo e continuou sendo perpetuado por displicência de uma diretoria que não parecia se preocupar com os diversos e frequentes problemas existentes na instituição.

Kerlon

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O jogador surgiu como um meia promissor, com certo talento e sempre abusado, famoso pelo seu drible da foca, que tentava empregar sempre que possível, atitude que gerava, inclusive, algumas polêmicas na mídia, que criticava sua falta de objetividade. O “foquinha”, por sua vez, também sofreu muito com lesões e com a desconfiança no médico do Cruzeiro, Ronaldo Nazaré. Seu quadro de dificuldade em se recuperar de seus ferimentos o fez buscar um médico não vinculado à instituição, Moisés Cohen. Infelizmente, o jogador não foi capaz de retornar ao auge, passando por diversos clubes sem sucesso e, na maioria das vezes, incapaz de jogar os 90 minutos, consequência da ineficiência absurda do departamento médico cruzeirense

Victorino

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Zagueiro de seleção na época em que foi contratado, Victorino dispensa apresentações. Por causa das lesões, foi incapaz de ter uma sequência nos três anos nos quais esteve vinculado ao Cruzeiro. Com potencial para ser o famoso “xerife” da defesa celeste, as feridas não eram recuperadas de forma correta e eficiente, levando o jogador a se machucar diversas vezes em um curto espaço de tempo, tornando esse potencial uma utopia, que acabou sendo deixada de lado após muito tempo de esperança.

Dedé, Manoel e Alisson

BELO HORIZONTE / MINAS GERAIS / BRASIL - 27.08.2014 - Cruzeiro x Santa Rita, de Alagoas. Copa do Brasil de 2014. © Washington Alves / Light Press

BELO HORIZONTE / MINAS GERAIS / BRASIL – 27.08.2014 – Cruzeiro x Santa Rita, de Alagoas. Copa do Brasil de 2014.
© Washington Alves / Light Press

Os três serão citados juntos pelo fato de fazerem parte do elenco atual cruzeirense. Dedé e Manoel, ambos possuidores do título de Melhor Zagueiro do Campeonato Brasileiro, poderiam compor uma impenetrável defesa, essencial em um Brasileirão tão disputado como o de 2016. Entretanto, por estarem internados no departamento médico, o Dedé em um caso ainda mais sério, já que ficou vários meses sem sequer ter a volta cogitada, o torcedor celeste precisa sofrer com uma inconstante defesa com o jovem Bruno Viana e o experiente – porém em má fase – Bruno Rodrigo.

alisson

Alisson, por sua vez, é um jogador extremamente necessário para a composição do ataque do Cruzeiro. Com velocidade e precisão, além de visão de jogo, ele traz uma qualidade única ao time do cruzeiro. Entretanto, seu histórico de lesões não recuperadas, unido ao retorno forçado e precipitado do jogador aos campos dificulta que ele tenha uma boa sequência e permanência na equipe titular, condição que, inclusive, o prejudicou no trabalho por vagas nas seleções sub-20 e olímpica.

É importante lembrar que os três supracitados fizeram parte do elenco campeão de 2014, e esse elenco bicampeão brasileiro, apesar de sofrer com as lesões, assim como todos os outros nos últimos anos, tinham peças de recomposição muito qualificadas, entrosadas e bem relacionadas, capazes de suprir a necessidade que os desfalques deixavam. Esse foi o principal fator que permitiu que o clube celeste garantisse a hegemonia nacional nos anos 2013/2014.

Todos esses exemplos mostram que, por mais de uma década, o setor de recuperação médica da instituição tem falhado e prejudicado a equipe, o que não se encaixa na grandeza do Cruzeiro Esporte Clube. Infelizmente, esse problema está longe de um fim. Apesar das trocas de médicos, não houve melhoras, mas sim pioras notáveis na recuperação de jogadores durante a era de Otacílio da Mata.

A terceirização do tratamento por parte do clube poderia ser uma forma de solucionar essa situação, uma vez que o Departamento Médico cruzeirense não tem se mostrado capaz de sanar as necessidades médicas dos jogadores que precisam de tratamento qualificado. Apenas resolvendo os problemas com a dificuldade de recuperação dos jogadores celestes que o time estrelado poderá almejar, novamente, voos altos.

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Belo Horizontino, comedor de pão de queijo e cruzeirense fanático, tenho o futebol intrínseco à minha existência. Formando.

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