Dia 10 de julho, a Eurocopa teve um campeão inédito. No Stade de France, localizado ao norte de Paris, exatamente em Saint-Denis, tivemos o jogo entre Portugal e França. O estádio foi inaugurado em janeiro de 1998, e acomoda 80 mil pessoas, mas infelizmente ficou mal lembrado após o amistoso França e Alemanha, onde foi possível ouvir explosões dos atentados terroristas em Paris, que deixaram 129 pessoas mortas e 352 feridas.

Partindo para a prévia da partida, pudemos observar campanhas diferentes de ambos os finalistas.

Les Bleus

A temida França vinha de uma campanha sólida, e um futebol um tanto quanto irregular. Pegou um grupo fraco e fez uma fraca fase de grupos, vencendo a Romênia num ruim 2 a 1 e a Albânia por 2 a 0 e terminou empatando sem gols com a Suíça. Vindo da França, apesar da organização das menores seleções, ao menos uma goleada ou um futebol dominador eram esperados. Dimitri Payet foi destaque da seleção nessa fase.

Henry ao matar a bola com o braço

Henry ao matar a bola com o braço

Enfrentou a República da Irlanda nas oitavas e sofreu. Começou perdendo por 1 a 0, num jogo que a zebra já estava sendo denominada como “a vingança à assistência de Henry”, que eliminou a Irlanda nas eliminatórias à Copa do Mundo em 2010 em um gol com a bola ajeitada com a mão pelo francês. Porém a seleção acordou e virou na segunda etapa, com dois gols do jogador do Atlético de Madrid, Antoine Griezmann, que passou a assumir o protagonismo da seleção azul no mata-mata. Passando às quartas, a seleção enfrentou a zebra, a Islândia, que havia classificado à frente de Portugal em seu grupo e eliminado a Inglaterra. A seleção campeã mundial não tomou conhecimento de seu rival, e tirou parte de suas esperanças no começo do jogo, ao abrir 2 a 0, mas mostrou falhas e desatenções defensivas, tendo o jogo acabado 5 a 2 e empolgado futebolistas por todo o mundo.

Nas semis a França enfrentou a poderosa Alemanha. Ganhou bem, com autoridade. Fez um bom 2 a 0, com outros dois gols de Griezmann. Chegou embalada para a final.

Destaques da França durante a competição

Griezmann e Payet, os destaques da França durante a competição

 

Seleção Lusa

Portugal teve uma péssima primeira fase. No Grupo F, a seleção lusitana conseguiu empatar os três jogos (1 a 1 com a Islândia, 0 a 0 com a Áustria e 3 a 3 com a Hungria) e passar como um dos melhores terceiros. Se a Euro tivesse o mesmo regulamento que o Brasileirão, o número de vitórias passaria de fase a Albânia e eliminaria Portugal (com maior saldo de gols), ambos com 3 pontos. Mostrou bom futebol ofensivo apenas no jogo contra a Hungria, mas no mesmo, uma defesa frágil.

Chegando nas oitavas, Portugal enfrentou a Croácia (favorita) e empatou novamente no tempo normal, vencendo por 1 a 0 na prorrogação. Nas quartas, jogou contra uma arrumada Polônia, e, adivinha? Empatou novamente, dessa vez chegando aos pênaltis e vencendo por 5 a 4. Nas semi-finais, finalmente venceu um jogo, uma vitória fácil por 2 a 0 contra um País de Gales visualmente limitado. Chegou à final com a França, tendo, curiosamente, vencido apenas um jogo no tempo normal! Cristiano Ronaldo foi decisivo durante toda a competição, sendo o zagueiro Pepe como outro dos melhores jogadores da Eurocopa. Renato Sanches, de 18 anos, também mostrou um grande futebol e foi eleito o jogador jovem da competição.

A coletividade e a raça portuguesas foram as principais armas da seleção

A coletividade e a raça portuguesas foram as principais armas da seleção

 

A final é sempre um jogo à parte do campeonato. Ultimamente, principalmente com seleções, tivemos tido finais apagadas, as quais as seleções tinham o único objetivo principal: não levar gols. E não mudou nessa.

 

Primeiro tempo

O time francês disposto em campo na final da Euro

O time francês disposto em campo na final da Euro

O jogo teve um começo corrido, com bolas isoladas por Nani, Sissoko e Griezmann. Logo aos 10 minutos, Payet acerta uma entrada em Cristiano Ronaldo, que o lesiona e o tira de campo 15 minutos depois. A partida seguiu até o final da etapa sem sal, momento em que a França poderia pressionar e causar desconforto e a falta de Cristiano em Portugal. Não demonstrou sua superioridade técnica, e seguiu jogando de igual para igual apenas.

Um grande problema foi identificado na França. Payet estava exageradamente  solto e até sozinho na ponta. Ele só era acionado nas inversões e lançamentos de Pogba, e não tinha com quem jogar. Pelo outro lado, víamos Sissoko, o melhor em campo, e, obviamente, mais centralizado. Pogba na volância também era um desperdício, poderia liberá-lo para subir, assim como os laterais presos. Griezmann também estava sendo subutilizado, como meia-atacante, pouquíssimo chamado a participar do jogo. Com essas mudanças, o futebol da França poderia ter sido outro.

Portugal disposto em campo

Portugal em campo

 

Já Portugal entrou em campo com, praticamente, três zagueiros, William Carvalho tinha uma função única e essencialmente defensiva. Já no ataque, o time jogava na roubada de bola. Ao roubar a bola, o contra-ataque era puxado pelos quatro jogadores mais ofensivos: João Mário, Renato Sanches, Nani e Cristiano Ronaldo. Após Cristiano sentir a contusão, Nani, que começou na ponta-direita se dirigiu ao meio, e Quaresma, que entrou em campo, foi à ponta. Em noite inspirada da zaga e do goleiro, a defesa de Portugal era uma muralha.

 

 

 

 

 

Na segunda etapa, o futebol continuou o mesmo. Jogo muito truncado e algumas chances claras de gol. Gignac, do Tigres, do México, entrou no lugar do jogador do Arsenal, Giroud, e fez uma grande jogada, acertando a trave, já no final do jogo. O jogo chegou zerado à prorrogação. Neste tempo, Fernando Santos fez uma substituição que mudaria o rumo do jogo. O limitado e contestado Éder, centroavante nascido na Guiné-Bissau, e atualmente jogador do Lille, da França, entrou em campo, no lugar de Renato Sanches.

Na prorrogação, a França demonstrava muito cansaço, apesar de ter sido Portugal quem disputou duas prorrogações nessa competição. Apesar da França ter a posse da bola, era Portugal quem mostrava mais perigo. Uma cabeçada de Éder e uma falta no travessão de Guerreiro já haviam feito a França sentir medo. Após um bate-rebate no meio do campo, na metade do segundo tempo, a bola é tocada para Éder, que ganha na disputa de corpo e chuta de longe, no canto de Lloris. A bomba foi indefensável! Já era tarde, o cansaço dominava a França, que não tinha mais como reagir. O jogo termina, e o improvável Éder é o protagonista da final!

Taticamente o jogo foi fraco. Ambas as equipes jogaram no propósito de “não levar gol”, muito usado nas finais atualmente, assim como na Copa América. Faltou criatividade e a participação de alguns sumidos, principalmente pela França, com Griezmann e Payet, que saiu na segunda etapa. Portugal defendeu muito bem e jogou por algumas bolas, muitas com perigo. Apesar de não ter sido uma excelência tática, foi superior à França no quesito.

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Torcedor de Santos e Spurs. Apaixonado por Brasileirão e Premier League. Tem o sonho de estudar e trabalhar com o melhor esporte já criado.

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