Eduardo Galeano disse, há anos, que a única religião que não tem ateus é o futebol. Ele não está apenas poeticamente correto, como está realmente certo. O Deus do futebol não é a estrela principal do jogo. Não ganha milhões, não chuta a bola, muito menos defende ela. O Deus do futebol pune o próprio – talvez por tamanha quantidade de hereges.

O Deus do futebol não precisa dar explicações após a partida. Ora, nem sei por que destaquei isso: ele é Deus! A quem Deus deve algo? Aliás, nós é que devemos tudo a ele. O supremo, muitas vezes, não é filho de Maria; é filho da puta. E quem diz isso são os próprios seguidores desta fé.

O Deus do futebol veste preto. Os cartões amarelo e vermelho lhe conferem licença para matar. O apito, como um tambor de guerra, rege a orquestra do futebol.

roldan

Você pode dizer que Guardiola faz seus times serem senhores do jogo, que um craque vive um dia de dono do campinho, mas não se iluda. O poder é centralizado e conferido a apenas uma pessoa, que faz com ele o que bem entender. Pode até permitir que qualquer um conquiste esse poder, como fazem os jogadores que “apitam” – aqui tratados como tiranos -, mas é ele quem determina.

Com o martelo na mão, ele traça o destino de rebanhos, que nada podem contestar e não tem a quem rezar. Como rezar contra Deus?

A soberania dos árbitros dentro das quatro linhas é um dos tumores do futebol. Não dão coletivas, raramente são punidos e normalmente tem toda razão. Até quando?

About The Author

Henrique Chaparro

Diretor-geral dos sites QQD e Falando de Premier League. Criou o QQD em 2013 e não parou mais. Torce para Internacional acima de tudo e vai com a cara do Liverpool. No FIFA 17, gosta de jogar clássicos argentinos. Acredita que o rei do futebol é brasileiro.

2 Responses

  1. Rodrigo Pimentel

    Exatamente, concordo contigo. Um esporte que move milhões e multidões, não pode ser dependente de Deuses soberanos, se até o massagista é profissional (sem desmerecer), porque uma figura que pode decidir o resultado não é? E logo essa pessoa que não é profissional, pode mudar o destino de um jogo. Reclamamos desses Deuses, mas eles não são exclusivos para nos dirigir, muitos têm seus consultórios, escritórios e salas de aula para administrar e não sobra tempo para nós (futebol), e se eles são soberanos, inquestionáveis e perfeitos, qual sentido teria eles para se qualificarem cada vez mais? Bom, acredito que a única saída é transformado-os em mais um de nós, fiéis do futebol, e isso só será possível com a profissionalização da arbitragem.

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    • Henrique Chaparro
      Henrique Chaparro

      Perfeito, Rodrigo! A profissionalização da arbitragem seria ótima, assim como a inserção da tecnologia no futebol e torná-la rápida e eficaz.

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