Foi em pleno século XXI, no ano de 2016, mês de julho, mais precisamente no dia 10, que Portugal venceu o Campeonato da Europa de Futebol, oferecendo o tão desejado título a todos os portugueses que já à algum tempo mereciam esta conquista. Doze anos depois da derrota perante a Grécia em pleno Estádio da Luz, foi a vez dos portugueses vencerem a anfitriã França no Stade de France, gelando o ânimo dos gauleses.

Desde Novembro do ano passado que se temia o pior para esta competição, com os fatídicos ataques terroristas que vitimaram centenas de pessoas a agoirarem um desfecho ainda pior durante o Europeu, mas as autoridades francesas estiveram em grande nível e merecem também um enorme aplauso, porque apesar dos desacatos provocados pelos adeptos, tudo fizeram para manter a ordem num país “invadido” por estrangeiros.

Voltando ao futebol, a edição deste ano foi prodigiosa em surpresas, começando pelo País de Gales, que conquistou o primeiro lugar do Grupo B, chegou às meias-finais da prova e só seriam derrotados pela seleção portuguesa, num jogo em que se viram privados da sua grande estrela, Aaron Ramsey, que foi o jogador mais importante desta equipa, pelo trabalho que fez no meio-campo e pela maneira que carregou a equipa rumo à baliza adversária.

As boas exibições da Croácia e Polônia devem ser realçadas, tanto pela qualidade do seu futebol, como pelos resultados alcançados, pois vejamos, os croatas venceram a Espanha na Fase de Grupos e os polacos não sofreram qualquer derrota ao longo da prova. Ambas as seleções foram derrotadas por Portugal, sendo necessário recorrer ao tempo-extra para se coroar um vencedor.

Já nas fases a eliminar, o suíço Shaqiri apontou o melhor golo da prova frente à Polônia, num remate espantoso de fora de área que levou a partida para prolongamento e, sucessivamente, para as grandes penalidades, em que a sorte sorriu aos polacos. Os franceses tiveram muitas dificuldades para derrotar a República da Irlanda, com Griezmann a assumir o papel de herói, marcando os dois golos que permitiram a seleção anfitriã chegar aos quartos de final.

Foi no último dia dos oitavos de final (27 de junho), que surgiram as grandes surpresas da prova. Ingleses e espanhóis abandonaram a competição precocemente, sendo eliminados com justiça por islandeses e italianos, respetivamente. Se a Islândia conseguiu aproveitar o contra-ataque para surpreender a seleção britânica, por sua vez a Itália dominou a partida, frente a uma Espanha que nunca soube como reagir perante a maior ofensividade impingida por Antonio Conte.

Nos quartos de final surgiu a “queda” da Bélgica perante os Galeses, que apesar de terem iniciado bem a partida com um belo golo de Nainggolan, foram perdendo o gás frente a uma equipa bem organizada que praticou bom futebol, impulsionada pelo enorme trabalho dos centrais, a qualidade técnica de Joe Allen e Aaron Ramsey, a velocidade de Bale e a força de Robson-Kanu, que apontou um belo golo, em que deixou toda a defesa belga surpreendida e reduzida a lágrimas.

Foi nesta fase que surgiu o melhor encontro de toda a prova. O Alemanha vs Itália foi o grande aperitivo e merecia ser disputado numa fase mais adiantada da competição, tanto pela qualidade da partida, como pela qualidade e entrega dos seus intervenientes. Apesar do domínio da equipa alemã em quase toda o jogo, foi num momento de distração de Boateng que surgiu o golo imprevisto de Bonucci, que converteu com sucesso uma grande penalidade. Foi mesmo através desse momento de jogo que se decidiu o vencedor, com os alemães a beneficiarem da sorte e da habilidade de Neuer, para reservarem um lugar nas meias-finais.

Apesar de todas as críticas ao futebol praticado pelos portugueses, a seleção lusitana enfrentou e controlou o País de Gales, numa exibição marcada pelo grande nível dos centrais portugueses e do meio-campo que funcionou de forma perfeita. Não foi um jogo marcado pela beleza e atratividade do futebol praticado pelos homens de Fernando Santos, mas este incutiu-lhes uma missão, que cumpriram com nota positiva.

(Foto: AFP)

Na outra meia-final, os gauleses derrotaram a Alemanha, num jogo em que brilhou Lloris, ao impedir que os alemães “violassem” a sua baliza, num jogo que ficou marcado pelo grande aproveitamento da parte dos franceses dos erros cometidos pelos visitantes, e também pelas ausências importantes na equipa alemã, que não tinham concorrentes à altura, como foi o caso de Hummels, Khedira, Gomez e até Boateng, que saiu bastante precocemente devido a uma lesão. Afinal o futebol são 11 para 11 e nem sempre ganha a Alemanha.

Chegou então o grande momento, a Final do Campeonato da Europa de 2016, entre França e Portugal. Os lusitanos entraram algo ansiosos e perderam muitas bolas no início do jogo, acusando o peso da partida em questão, mas à medida que o jogo foi evoluindo, ganharam mais confiança e, consequentemente, mais qualidade.

Sissokho foi o homem mais perigoso dos franceses, com uma capacidade incrível de penetrar a defesa portuguesa e de criar várias oportunidades, para si mesmo e para Griezmann poder fazer o gosto ao pé.

O jogo terminou empatado graças à grande exibição de Rui Patrício, à qualidade da linha defensiva portuguesa e também graças ao poste, que evitou que Gignac marcasse o golo da vitória já nos descontos finais.

Durante os trinta minutos de tempo-extra, a partida foi controlada por Portugal, com João Moutinho, Nani, João Mário e Éder a serem cruciais na posse de bola e criação de oportunidades. Foi à passagem do minuto 109’ que o avançado nascido em Guiné-Bissau se inspirou e fez o primeiro e único golo da partida, que viria a revelar-se como histórico, porque permitiu aos portugueses fazerem a festa.

Antoine Griezmann acabou a prova como melhor jogador e melhor marcador, Renato Sanches foi considerado o melhor jovem e o melhor 11 escolhido pela UEFA foi o seguinte: Rui Patrício, Kimmich, Pepe, Boateng, Raphael Guerreiro, Joe Allen, Toni Kroos, Payet, Ramsey, Griezmann e Ronaldo.

Muitos outros jogadores mereciam estar presentes nesta escolha, tais como: Nani, João Mário, Sissokho, Matuidi, Éder, Chiellini, Ashley Williams, entre muitos que aproveitaram o Europeu como montra para continuarem a sua carreira ao mais alto nível.

Para terminar, um grande aplauso aos adeptos da República da Irlanda, da Irlanda do Norte, da Islândia e do País de Gales por elevarem o (bom) nome dos seus países, não só pelas enormes prestações dos seus atletas, mas também pela faceta demonstrada pelos seus adeptos, que nunca esqueceram que somos todos humanos e que apesar da diferença de nacionalidades, todos merecemos respeito e é através da união que se constroí um bom ambiente para se desfrutar das partidas do desporto-rei.

About The Author

Leave a Reply

Your email address will not be published.