Napoleão era idolatrado por seu povo. Conquistou muito e aos poucos foi expandindo seu poder e alcance. Eis que seu império começou a ruir. O general foi exilado por seus adversários e retornou do seu período sabático um ano depois, para a Batalha de Waterloo. Esta foi a sua última, que resultou em seu último exílio e em sua morte, na Ilha de Santa Helena.

Argentina e Chile, em 2015, foi a captura de Paris de Lionel. Seu primeiro “exílio”, após tantas batahas. Ele voltou para mais uma guerra entre argentinos e chilenos. MetLife Stadium foi Waterloo por 150 minutos. Lionel Messi foi Napoleão Bonaparte por 150 minutos.

O grande problema é que não foram apenas duas batalhas. São vários anos carregando um peso que não é só seu: a culpa por fracassos argentinos em competições oficiais. É bem verdade que Lio deixou a desejar por muito tempo na equipe e talvez ainda não tenha apresentado o seu melhor pela albiceleste, mas ele foi o grande responsável pelas últimas três finais que a Argentina frequentou. Carregou o coração de mais de 40 milhões de argentinos na ponta da chuteira.

O craque hermano anunciou sua aposentadoria da Seleção Argentina, mas ainda não oficializada – há a esperança de que ele repense sua decisão. Se concretizada, ficará marcada não só como uma grande derrota, mas uma renúncia às seguintes batalhas, sem saber se o triunfo viria ou não. É render-se ao adversário.

A jornada de Messi pelo selecionado de seu país acaba tão triste quanto um tango de Carlos Gardel. Basta de carreras, se acabó la timba.

Apesar de seu império não ter sido duradouro, Napoleão mudou a Europa. Nada diferente da lenda argentina.

E, convenhamos: a Ilha de Santa Helena parece bem mais inóspita que Barcelona.

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Henrique Chaparro

Diretor-geral dos sites QQD e Falando de Premier League. Criou o QQD em 2013 e não parou mais. Torce para Internacional acima de tudo e vai com a cara do Liverpool. No FIFA 17, gosta de jogar clássicos argentinos. Acredita que o rei do futebol é brasileiro.

2 Responses

  1. Caduco

    Caduco nestas horas sabe ser bem Caduco. Mandaria todos os chamados jogadores do Grêmio para o exílio, sem excessão, em troca do Messi e sua atitude, sua verticalidade, sua obsessão pela busca do gol, das vitórias e dos títulos.

    Messi consegue fazer sozinho o que um time inteiro do Grêmio não consegue fazer.

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