Por Glauber Mussi

Depois da derrota para o Palmeiras, onde a bola aérea, maior terror do time nesse ano de 2016, voltou a apavorar a torcida gremista e a escancarar a terrível deficiência de posicionamento da nossa defesa (e com esse “nossa” já me identifico de início como fanático torcedor tricolor, o que faço questão de deixar bem claro), o Grêmio tinha a chance, nesse domingo, de retomar a liderança do campeonato e espantar eventuais dúvidas que tivessem surgido relativamente à possibilidade de o time vir a lutar pelo título brasileiro. Afinal, convenhamos, embora a paridade de forças existente no campeonato desse ano (um retrato da mediocridade do futebol praticado atualmente no Brasil), a Ponte Preta, frequentando a parte de baixo de tabela e objetivando tão somente manter-se na primeira divisão, não metia medo em ninguém.

No entanto, quem foi ao estádio esperando do time do técnico Roger Machado uma atuação capaz  de fazer retomar na torcida a confiança existente antes do jogo da quarta-feira passada saiu do estádio muito decepcionado. Embora o início empolgante, com Everton perdendo um gol daqueles “imperdíveis” logo no primeiro minuto de jogo, o Grêmio foi, aos poucos, caindo naquele seu tradicional jogo de “toque-pra-cá-toque-pra-lá” buscando, fracassadamente, algum espaço pelo meio da defesa paulista.

A quantidade de erro de passes foi simplesmente irritante, sendo que o líder absoluto nos dois quesitos (errar passes e irritar a torcida) foi, como de hábito, e disparadamente, o ex-atleta Douglas, que, entre um trote e outro (correr é algo que parece impossível para o seu atual estado físico e anímico), errou todos os passes que tentou até o final do primeiro tempo. Verdade que, aí, apareceu aquele lampejo do jogador de qualidade que um dia foi e, já nos acréscimos, com um toque sensacional, deixou Everton na cara do gol, para que esse perdesse a sua terceira chance clara na partida (antes disso já tinha perdido mais uma oportunidade claríssima finalizando na trave um cruzamento do Luan aos 18 minutos). A essa altura, o Grêmio já contava com mais espaço, em função da expulsão de Clayson aos 39 minutos. E assim acabou o primeiro tempo.

O Grêmio com posse de bola, tocando para lá e para cá sem conseguir de fato pressionar uma Ponte Preta que, nessa etapa, quase nada fez ofensivamente. A expectativa era que, com espaço, a equipe amassasse a macaca no segundo tempo e obtivesse, com certa facilidade, a vitória que o colocaria na liderança (afinal, a essa altura o inter – com letra minúscula mesmo – já estava perdendo para Vitória, como era esperado, diante de seu histórico, no Barradão). Ledo engano. Embora utilizando a velha (e correta) tática de fazer girar a bola de uma lateral à outra, para mexer a defesa da Ponte e assim encontrar o espaço decorrente do fato de jogar com um a mais, o Grêmio, quando fazia a bola chegar à lateral, voltava a “afunilar” o jogo pelo meio, buscando, sempre, o espaço naquele setor, o mais congestionado do campo.

Roger, como de hábito, óbvio nas substituições, fez, já tardiamente (poderia ter substituído no intervalo), entrar Bobô em campo, no lugar do lamentável Douglas. O resultado, como normalmente ocorre nas substituições por ele realizadas, foi nenhum. Não entendo esse “fetiche” do treinador pela escalação do Bobô, que é bom jogador mas não combina com a maneira de jogar do time. Ele entra e o Grêmio continua jogando do mesmo jeito, sempre pelo meio. Perdi as contas das tentativas fracassadas do Maicon de encontrar espaço por ali, foram incontáveis as “cavadinhas” infrutíferas.

Verdade que é brabo apostar na jogada pelo lado com um lateral tão ruim como Marcelo Hermes. Sério, como é que um jogador tão medíocre consegue chegar ao profissional de um time como o Grêmio?!? Não tem vitória pessoal, não sabe cruzar e ao final coroou sua medíocre atuação com uma jogada bizarra onde, de dentro da área e de pé esquerdo, conseguiu chutar para lateral uma bola que lhe sobrou na frente do gol.

Bem, nesse meio tempo, diante da incompetência do time, que não conseguia criar (e de fato não criou) nenhuma chance clara de gol, Roger fez entrar Lincoln e o garoto, embora de qualidade indiscutível e com um belo futuro pela frente, de novo, como tem ocorrido em todas as oportunidades que recebe, foi uma decepção. Ficou em campo pouco mais de cinco minutos até ser expulso por um cotovelaço irresponsável que eliminou a vantagem numérica que o Grêmio tinha até ali. Depois disso, o jogo continuou na mesma toada, o Grêmio insistindo fracassadamente pelo meio, embora com um centroavante de área que não recebia nenhuma bola (bolas levantadas eram sempre da intermediária) e a Ponte se defendendo.

Ainda assim, aos 45 minutos do segundo tempo, um susto com o chute na trave do Jéfferson, batendo da intermediária. Aí, quando ninguém esperava mais nada, e a torcida já contabilizava mais dois pontos perdidos, surgiu o talento daquele que é, disparadamente, o melhor jogador desse time do Grêmio. Embora apagado no jogo, muito em função da fascite plantar que voltou a lhe incomodar, Luan é o único jogador do Grêmio capaz de fazer alguma coisa diferente. E fez, com um chutaço sensacional que decidiu o jogo. Ele é, sempre, a minha grande esperança de vitória (tanto que é sempre o primeiro jogador a ser escalado no meu time do cartola…rrrsss…).

Bem, embora o futebol medíocre apresentado ontem, considero, sinceramente, o Grêmio como candidato ao título desse ano. Até porque o campeonato é muito igual. Não existe nenhum time que se destaque. Mas o técnico Roger tem que acordar e investir em um esquema alternativo, a ser usado circunstancialmente. Não é possível que o Grêmio jogue sempre e unicamente do mesmo jeito. Não aprendeu a lição depois do banho de bola, do massacre a que foi submetido pelo Rosário, que amarrou o Grêmio e fez o time sumir nos dois jogos? É preciso alternativa para quando isso aconteça. E essa alternativa, o time do Grêmio não tem. As substituições são sempre as mesmas (e sempre ineficazes) e, independentemente dos jogadores ou das circunstâncias da partida, a forma de jogar não muda! Roger é bom treinador, mas tem que ser cobrado pela direção nesse sentido. Não podemos depender, sempre, da genialidade do Luan (que, aliás, não joga a próxima partida, contra o Fluminense no RJ).

Por Glauber Mussi

About The Author

Adrian Pavoni
Diretor-Executivo e Colunista

Amante da liberdade, de esportes e da vida. Cityzen e Sapucaiense. Estudante de Jornalismo da PUCRS.

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