Na Coreia do Sul, o desporto nacional é o Taekwondo, ainda que a sua população não lhe reserve por completo os gostos desportivos. De facto, os coreanos apreciam as mais variadas e heterogêneas modalidades, desde o beisebol ao keirin – uma modalidade de ciclismo em pista que gera milhares de milhões em apostas – passando, como não podia deixar de ser, pelo futebol, que chegou às costas da península da Coreia em 1882, a bordo do navio britânico Peixe Voador.

A moderna Seoul

Contudo, ao contrário do que ocorreu noutros países para onde os ingleses levaram a sua bola de couro, na Coreia esta demorou a enraizar-se.

Não por falta de praticantes (entre 1910 e 1920 criaram-se vários clubes em Seul), mas porque os conflitos geopolíticos que atormentaram o país até à segunda metade do século XX (durante anos foi um território ocupado pelo Japão e após a II Guerra Mundial atravessou uma guerra civil), aliados ao isolamento internacional do extremo mais oriental da Ásia foram atrasando a chegada do profissionalismo no futebol.

De facto, a primeira liga profissional do país foi criada apenas em 1983, a atual K-League, que funcionava num sistema similar ao da NBA, sem subidas nem descidas até há bem pouco tempo, em que foi abolido esse formato.

Mas verdade seja dita: o grande evento que impulsionou definitivamente o futebol entre os coreanos foi o Mundial de 2002, onde a Coreia do Sul não só foi a anfitriã como alcançou as meias-finais.

Atualmente, uma média de 10.900 espetadores assistem a jogos, ainda que quando o FC Seoul jogue, as assistências sofrem um aumento exponencial, tendo atingido já os 40.000. É um rácio maior do que apresentam países futebolisticamente mais desenvolvidos, como Dinamarca, Polónia, Noruega, Suécia ou Grécia… para além de Portugal.

(Foto: Divulgação/FC Seoul)

Apesar de ter demorado a chegar o profissionalismo, o futebol de Seul foi vivendo de clubes que apareciam e desapareciam com enorme facilidade, desde inícios do século XX. Alguns deles eram equipas de universidades que, quando viam os alunos terminar os cursos, ficavam condenadas ao desaparecimento.

Outros fundiram-se entre si e, inclusivamente, chegaram a vencer uma competição japonesa. Foi o caso do Gyeongseong, que em 1935 se converteu no primeiro – e único até ao momento – emblema não nipónico a vencer a Taça do Imperador. Tal deveu-se ao facto de, em 1940, os clubes coreanos terem permissão para disputar esta competição, já que o país se encontrava sobre alçada japonesa.

O Gyeongseong foi, durante muito tempo, o clube mais potente da cidade, ainda que a meio da década de 1950, devido à divisão da coreia em dois estados independentes por consequência da guerra civil, tenha desaparecido.

Seul demorou em encontrar um substituto que recuperasse o futebol nos seus estádios: chegou em 1973, com a fundação do Seul City, clube que esteve no amadorismo durante 30 anos, antes da sua dissolução.

A abertura e o fecho de emblemas desportivos foi uma constante na capital coreana: Yukong Kokkiri, Seul Pabal ou Ilhwa Chunma são os nomes mais conhecidos. Este último foi, aliás, o primeiro clube da cidade a adoptar o profissionalismo, na década de 80, pouco depois da criação da K-League, a única liga profissional do país.

O FC Seul, considerado como um dos clubes mais potentes do país conta nas suas vitrinas com 4 títulos da K-League, 2 Taças da Liga, 2 Taças da Coreia e uma Supertaça. O seu último troféu foi conseguido no ano passado, quando conquistou o campeonato.

Além do mais, trata-se de um clube que tem uma relação muito especial com os seus adeptos, já que retirou o número 12 em sua homenagem.

Mas o facto  de ser a única entidade profissional não significa que seja o único protagonista futebolístico na capital coreana. O Seul United e o Martyrs atuam nas divisões inferiores e, desde 2004, a cidade também ‘aloja’ o Amazones, um clube profissional, mas feminino.

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