Depois de três meses de disputa, a Primeira Liga chegou ao seu fim e acabou com o Fluminense campeão: vitória por 1 a 0 sobre o Atlético/PR, com gol de Marcos Junior, uma das crias de Xerém. É uma taça que aponta um bom caminho ao Flu, ainda em formação, mas mostrando sinais de um futuro promissor, apoiado em bons valores da base e em um experiente Levir Culpi, no comando técnico. Entretanto, o que fica da competição – mais do que o título carioca – é o legado e futuro da competição, o que esperar nos próximos anos.

Já de início, a competição teve boa aceitação do público, os jogos iniciais superaram – facilmente – as pífias médias de público dos campeonatos estaduais, houve disposição dos clubes e torcedores para a competição acontecer e causar impacto, os jogos mais atrativos que os dos estaduais também angariaram público. Clássicos como Grêmio x Internacional, Cruzeiro x Fluminense, Atlético/MG x Flamengo e Fluminense x Internacional marcaram a competição, a boa surpresa Atlético/PR também foi um dos pontos altos da competição, e – claro – o campeão Fluminense não deixou de ser uma surpresa, mesmo sofrendo com mudanças no comando técnico e no time titular, conseguiu montar uma equipe sólida o suficiente para conquistar a taça, algo que não conseguia desde 2012.

(Foto: Divulgação/Fluminense)

(Foto: Divulgação/Fluminense)

Se a Primeira Liga foi importante para mostrar um novo formato de competição e a força dos clubes, também contou com alguns problemas, entre eles estão o fato de muito times começarem a se poupar, visando jogos pela Copa Libertadores ou pelo próprio estadual, a cobertura ainda pequena da competição e a ausência do Maracanã.

  • Times poupados: Apesar do grande esforço dos clubes para a competição acontecer, muitas equipes se preservaram em alguns momentos da competição e não deram à classificação, o mesmo valor dado à classificações em campeonatos estaduais, equipes como Grêmio e Atlético/MG focaram-se na Libertadores e também deixaram a competição em segundo plano, em alguns momentos.
  • Cobertura pequena: A cobertura feita em torno da competição não foi grande ao ser comparada com o foco dado aos estaduais, a primeira rodada teve transmissão completa e prometia muito para a sequência, entretanto, com o passar das rodadas, o torneio foi afunilando e a cobertura diminuindo, torcedores das equipes que não disputaram o torneio não se interessaram muito em acompanhá-lo, conforme seu avanço ocorria.
  • Ausência do Maracanã: Foi um problema e tanto, com a ausência do maior estádio da América do Sul, a dupla Fla/Flu mandou seus jogos em vários lugares, espalhados pelo estado e pelo país, o campeão Fluminense jogou a semi-final e a final, em Brasília/DF e Juiz de Fora/MG, respectivamente. A falta do Maracanã, reduziu os holofotes sobre a competição, uma final no estádio, certamente, geraria um grande público e audiência alta, superando os jogos da Copa Libertadores, que competiram com a final da Copa Sul-Minas Rio.

Para as próximas edições, a expectativa é que o torneio se estruture mais, conte com adesão de mais equipes e seja levado mais a sério que os campeonatos estaduais, pois o nível técnico e o interesse dos torcedores já é mais alto pelo torneio. Seguir o modelo da Copa Verde e da Copa do Nordeste, e premiar o campeão com uma vaga na Copa Sul-Americana também é uma boa alternativa, além do investimento em uma nova “Copa dos Campeões”, unindo Copa Verde, Copa do Nordeste, Copa Sul-Minas Rio e Paulistão.

O ponto é que o torneio plantou o embrião para os próximos anos, é uma forma dos clubes se desvincularem das federações e ganharem mais autonomia para organizarem competições, sem manterem-se reféns de ninguém, a torcida já está comprando a ideia, clubes e imprensa também precisam colocar na cabeça que é a ideia certa e a ser seguida, aumentando o foco e importância dados ao torneio.

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Amante do esporte, presente em uma das tantas curvas da highway. Mineiro, acima de tudo Cruzeiro. Fã de futebol rápido, não necessariamente rasteiro. Acredita na Copa do Mundo como momento máximo do esporte.

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