Até a temporada de 1969/70, a Holanda era um país totalmente residual no panorama futebolístico internacional. A sua seleção apenas tinha tido duas participações em Mundiais (Itália’34 e França’38) e a sua época dourada remontava às três medalhas de bronze conquistadas nos Jogos Olímpicos de 1908, 1912 e 1920.

O futebol holandês atravessou um grande momento no início do século XX, mas foi-se diluindo à medida que passavam os anos. Até que, em 1970, a cidade de Roterdão chamou para si os focos de atenção e colocou-se no mapa. Nesse ano, o Feyenoord proclamou-se o rei da Europa ao derrotar o Celtic de Glasgow na final, por 2-1.

A partir de então, Roterdão converteu-se – a par de Amesterdão – na catapulta que levou a Holanda a erger-se como uma das potências do desporto-rei do momento. Assim, não foi de estranhar que tenha sido precisamente esta cidade a consolidar o futebol em terra das tulipas.

Roterdão pode gabar-se de ser a principal cidade ‘balompédica’ do país, apesar de ter pouco mais de 600 mil habitantes. Não é em vão que conta com três clubes profissionais (Feyenoord, Sparta e Excelsior), todos eles com mais de 100 anos de história.

O título de principal clube de Roterdão pertence ao Feyenoord, que conta na sua vitrina com 14 títulos nacionais. Sempre foi um clube de massas, acima da média do país. Já nos incipientes anos 50 apresentava uma média superior a 20 mil espetadores no seu estádio, um registro muito alto para uma Holanda que não se destacava pelas glórias desportivas.

Matchday para os torcedores do Feyenoord (Foto: SkySports)

É de tal forma um fenômeno curioso que, mesmo em 1971 e 1973, anos em que o Ajax venceu três Ligas dos Campeões consecutivas, a sua média de público era muito superior aos rivais de Amesterdão.

No entanto, o futebol aterrou na cidade muito antes de o Feyenoord começar a ganhar títulos. O primeiro clube a popularizar-se foi o VV Concordia, fundado em 1888, precisamente para participar na primeira edição da liga nacional de futebol holandesa.

E esse primeiro título foi parar às suas maõs, convertendo Roterdão na primeira cidade a festejar um campeonato de futebol do seu país. O Concordia apenas sobreviveu um par de temporadas, dando lugar a um clube que também havia nascido no mesmo ano:  O Sparta, vencedor de cinco títulos entre 1909 e 1915.

O Sparta é atualmente o clube mais antigo de toda a Holanda e conta com seis títulos no seu palmarés: os cinco anteriormente mencionados e o sexto chegou em 1959, uma vez instaurado o profissionalismo com a constituição da Eredivisie.

Esgotado o ciclo do Sparta, chegou a vez do Feyenoord, que até 1961 apenas tinha vencido por cinco ocasiões a prova nacional. Desde então, somou mais nove até assumir-se no terceiro clube mais laureado do país.

Os motivos que Roterdão tem para se gabar ddo futebol não se ficam por aqui. Não só é a cidade que conquistou o primeiro título da história do desporto-rei holandês e a que primeiro venceu a Taça dos Campeões Europeus, como também foi a que impulsionou a instauração da profissionalização.

Esse mérito pertence ao terceiro clube da cidade, o Excelsior. Fundado em 1902, o clube rapidamente se apercebeu que viveria na sombra de Feyenoord e Sparta, o que significa muito, se tivermos em conta que, desde 1925, a cidade apenas cresceu em 50 mil habitantes.

Jogadores em ação pelo Excelsior, em 2016 (Foto: Divulgação/Excelsior)

Como lutar por uma fatia tão pequena? Com criatividade. E assim apostou em soluções que o manteve à tona, como a de convencer a Federação Holandesa de Futebol que a melhor medida para impulsionar a modalidade a nível naciona era permitir que os jogadores fossem pagos de forma profissional.

Deve-se também ao Excelsior o fato de ter sido o primeiro clube a ter bancadas cobertas no estádio, de forma a ‘convidar’ os adeptos a poderem ir à bola sem se molharem. Foi também o primeiro emblema que assinou o primeiro contrato de patrocínio para as camisolas.

Com todos estes ingredientes, ninguém pode estranhar a razão pela qual Roterdão se enche de orgulho quando se fala de futebol no país das tulipas.

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