O futebol é de fato um esporte fantástico. Me tenho como amante desse jogo desde os cinco anos, quando passei a acompanhar praticamente todas as partidas do Flamengo e os campeonatos que iam me interessando. O amor ao jogo com a bola nos pés é hereditário, gosto herdado pelo meu pai, também flamenguista.

Mas por quê esse amor todo a um jogo que tem como personagens vinte e dois sujeitos correndo atrás de uma bola, somente para colocá-la através de uma trave de ferro fincada em dois lados de um campo longo? Bom, é complicado explicar, pois o futebol é um esporte de longa data e hoje move milhões de cifras ao redor do mundo, atraindo espectadores e torcedores por onde passa.

Essa semana concluí um dos livros mais interessantes sobre futebol produzidos aqui no Brasil. Nós, que temos jornalistas consagrados e eternizados até hoje, como Mário Filho e Nelson Rodrigues, nunca paramos pra observar e analisar o futebol em relação à sociedade, às massas, à sua história e suas influências e proporções geradas. Não que esses jornalistas não os tenham feito; entretanto, a análise sociológica, histórica e antropológica do futebol é muito bem aprofundada por Hilário Franco Junior, professor de História Social da Universidade de São Paulo.

O livro aborda questões históricas do futebol, desde as suas possíveis origens na Inglaterra e outros jogos parecidos com o futebol já praticados séculos antes, bem como abordagens sociológicas, da sua influência na sociedade, de como os políticos utilizam do esporte para agregarem valor às suas imagens, fortalecer regimes ditatoriais, e resgatar o orgulho nacional; metáforas psicológicas, linguísticas, antropológicas e religiosas, nesta última, mostrando porque o futebol não é uma religião, mas que tem traços e características de tal.

Não encontrei nenhum ponto negativo no livro, que além de rico em exemplos e as diferentes abordagens já citadas, tem uma linguagem acessível, mostrando com simplicidade a complexidade do futebol em nossa sociedade e como jogo em si.

Bill Shankly, gerente e técnico do Liverpool entre 1959 e 1974, deixa a seguinte frase na conclusão do livro: “Algumas pessoas pensam que o futebol é tão importante quanto a vida e a morte. Elas estão muito enganadas. Eu asseguro que ele é muito mais sério que isso”.

A Dança dos Deuses é um ótimo livro pra quem quer entender não só o futebol como simples esporte, mas o fascínio que ele exerce, o ódio que ele provoca e a fúria causada após um gol marcado pelo nosso time; a compreensão das suas terminologias, significados e a evolução desse esporte que, segundo o autor “não pode ser dissociado da história geral das civilizações”.

About The Author

Acima de tudo rubro-negro. Se considera amante do jogo com a bola nos pés desde os 5 anos. Admirador de Messi, Romário, Petkovic, dos Culés, fã das provocações extracampo e da cerveja e bandeirões nos estádios. Estudante do 3º período de Jornalismo da UFRN.

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