Quem acompanhou o noticiário esportivo essa semana viu a apresentação do uniforme do Atlético-MG, agora fornecido pela Dry World, e pôde perceber as polêmicas em torno da apresentação e do próprio uniforme.

Já explico: Além de utilizar de mulheres em trajes um tanto ousados, na parte da gola do novo uniforme do Galo, naquele cantinho com as instruções para lavagem, há um pequena frase: Give to your wife, dê para sua mulher, em tradução literal.

Nada contra a utilização de mulheres na apresentação, pelo amor de Deus! O que me incomoda, é só o fato de utilizar a beleza interna da mulher, apresentando-a como um objeto, em trajes ousados e desnecessários para a apresentação de um uniforme de jogo de futebol (porque a mulher tem que ir só com a camisa, deixando a parte de trás um tanto expostas?). Sem contar no fato mais intrigante da noite, a frase exposta acima, reforçando ideias machistas e retrógradas de que a mulher deve lavar a roupa do homem.

Nossa sociedade, machista em sua essência, faz com que a mulher receba menos que o homem, seja julgada pela suas vestes, pelos seus atos (estes que os homens fazem na maior naturalidade e não são julgados da mesma forma), e sem contar no ideal patriarcal, de que a mulher deve ser submissa ao homem. Elas, que desde o século passado alcançaram (e continuam alcançando) muita independência, seja financeira, familiar, profissional, etc.

Estamos passando por um processo de desconstrução dessas ideologias, e a apresentação do uniforme com essas pontadas machistas não só nos atrasa, como perpassa uma ideia que está tentando se extinguir em nossa sociedade atual, que detém bancada política bem conservadora.

A Penalty, fornecedora do rival Cruzeiro, fez uma campanha com intuito contrário, afirmando que só se precisa de mãos, sabão e a máquina para se lavar uma camisa, contrariando e soltando uma farpa à Dry World. Entretanto, na elaboração deste texto descubro que a própria Penalty já fez uma campanha parecida quando fornecia os uniformes do São Paulo, tratando a mulher como mero objeto. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, comentou um internauta na página da própria Penalty.

Que esse e outros erros sejam vistos pelos produtores na próxima vez. E que o futebol, esporte visivelmente masculino, com o feminino em ótima ascensão, seja uma ferramenta útil para desconstruir valores que só nos atrasam como seres humanos.

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Acima de tudo rubro-negro. Se considera amante do jogo com a bola nos pés desde os 5 anos. Admirador de Messi, Romário, Petkovic, dos Culés, fã das provocações extracampo e da cerveja e bandeirões nos estádios. Estudante do 3º período de Jornalismo da UFRN.

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