Já tem tempo que o Maracanã deixou de ser um estádio do “povão”, da “galera”, da massa. Não sou um detrator do Mário Filho, até curto essa nova “versão”. Entretanto, todos concordam que, hoje em dia, nem todo mundo tem bala na agulha pra gastar no ingresso, no refri e no cachorro-quente do Maraca. Com a minha visão simplista de torcedor, pertencente a camada mais humilde da população, e principalmente, entusiasta do charme, garbo e elegância da torcida do Mengão, eu apoio nossos craques botarem suas chuteirinhas coloridas em Edson Passos (estádio do América) e em Campo Grande, no Ítalo Del Cima.

Quando cheguei ao Rio, fui morar na Zona Oeste, mais precisamente em Bangu. Tive a oportunidade de ver o Flamengo jogando em Moça Bonita e é uma catarse. Ali você vê quem é Flamengo de verdade. Sempre é um calor insuportável, infelizmente o estádio está caindo aos pedaços, é difícil de chegar, mais difícil ainda de sair… só que é um prazer.

Naquele local acanhado, você se faz ouvir. Com certeza o MURIçoca vai escutar no pé do ouvido a pressão que é a massa. Bota em campo uma dessas lesmas que contrataram agora, quando o indivíduo errar o primeiro passe, tanto ele quanto o ser que diz que joga bola, vão querer cavar um buraco e se enterrar nele. Isso aqui não é São Paulo, meu filho.

Tenho amigos que moram de frente para o Edson Passos. Quantas vezes não fiquei tomando umas e outras ali perto, imaginando poder ver o time do povo jogar ali, já que não pude presenciar tal cena. Será um deleite.

O Flamengo precisa do Maracanã, isso é inegável. Aquele gigante pulsante, palco de duas finais de Copa do Mundo, faz parte da vida de todo rubro-negro DE VERDADE. Mas convenhamos, FLAMENGO X VOLTA REDONDA, o ticket de entrada custando dez reais, o latão gelado saindo por cincão e o churrasquinho deLEI na entrada , com a oportunidade do amigo de Japeri chegar numa boa, vai sacudir os espíritos dos corpo – mole que ousam usar o mando.

Outro fator que faço boa vista do Mais Querido indo jogar em praças menores é a ajuda a aos mais necessitados. O primeiro beneficiado é o Boavista. Jogará contra o Flamengo em Edson Passos. O mandante é o rubro-negro, mas com certeza uma cota vai para o adversário (me perdoe a ignorância, não entendo a divisão dos lucros nos jogos). Sem os custos estratosféricos do Maracanã, acredito que a fatia será maior.

Outro que jogará no mítico estádio de Edson Passos, com mando de campo do Maior de Todos, é o Resende. A data contra o Bangu, até o presente momento em que o escriba se dá o trabalho de olhar a tabela, ainda não tem local definido. Acho que já deixei claro que dou total apoio que seja em Moça Bonita.

(Foto: Divulgação/Flamengo)

(Foto: Divulgação/Flamengo)

Deixo claro também minha concordância em jogar em outra praça de menor tamanho: São Januário. Conheço o bairro de São Cristóvão, já visitei o estádio do nosso irmão de menor expressão e acho charmoso um clássico lá. Lógico, com a devida segurança a todos. Não queremos que os animaizinhos se mordam, né?

Acho que penso com uma visão romântica das coisas. Eu meio que nado contra a corrente e apoio os estaduais. Os clubes menores tem sua importância, sua história. Toda vez que passo perto do portentoso São Cristóvão, o clube que revelou o fenômeno , o maior clube daquela região, eu fico triste. Vejo aquilo ali abandonado, e leio, pintado em azul bem fraquinho: “Campeão carioca de 1926”.

Queria eu que o estádio da Gávea pudesse receber partidas mais importantes. Isso é um sonho desde que cheguei ao Rio.

O Flamengo é o time do povo. E tem que estar perto do povo.

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Alagoano, Flamenguista desde que vi a camisa onze do Romário. Apaixonado pelo Rio, vivo no Maracanã. Goleiro nas peladas da vida, apreciador do Futebol e do que ele causa ao seu redor. Provavelmente me encontrará na Lapa tomando um chopinho.

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