Final de setembro e mais um contrato chega ao fim no futebol brasileiro, mas desta vez não é um contrato qualquer, Ronaldinho Gaúcho encerra seu vínculo com o Fluminense, uma união que já começou com incertezas, terminou na certeza do erro, em comum acordo, o vínculo foi rescindido. O meia, já com seus 35 anos, parece bem próximo do fim de carreira, ainda há mercado para ele nos EUA, Turquia, Índia, China e esses diversos locais periféricos do mundo da bola, mas possivelmente esse foi o último gigante que o meia defendeu, os dias de dribles têm chegado ao fim.

Com passagens por grandes clubes, sempre fica a pergunta se Ronaldinho poderia ter sido mais. Mais o quê? Campeão da Europa, campeão da América, campeão do Mundo, o homem que já foi aplaudido de pé pelo Bernabéu, que surpreendeu a Inglaterra em plena Copa do Mundo, que foi eleito por duas vezes o melhor jogador de futebol do planeta, são alguns dos principais feitos de alguém que se acostumou a ganhar tudo, mesmo sofrendo às vezes questionamentos sobre diversas questões, que na formação do currículo não representaram nada.

Melhor do mundo em 2004 e 2005

Melhor do mundo em 2004 e 2005

Camisa dez na acepção da palavra, ponta-de-lança, criador e goleador, decisivo em diversos jogos, decisivo em jogos grandes, escreveu em curto espaço de tempo, história para uma carreira inteira, talvez tenha atuado 3 ou 4 anos em seu nível máximo, mas foi o suficiente para conquistar o que queria. Também falhou, em 2006 não foi protagonista na Copa, no Grêmio foi taxado de traidor, no Flu decepcionou, mas são falhas que ficam pequenas perto dos feitos, tinha potencial pra mais, possivelmente, mas se fosse mais, talvez não fosse tão intenso, outros craques de sua geração esbarraram em problemas, pro Kaká faltou físico, pro Adriano faltou cabeça, pro Ronaldinho não faltou nada, ele nunca quis nada além do que conquistou.

Jogador de futebol, isso que ele sempre quis ser, não atleta, mas sim jogador, que dá festa e resolve em campo, festas que o crucificam nos momentos de derrocada, mas eram constantes nos momentos de glória, no Barça ou no Atlético, nunca faltaram comemorações festivas, mas também não faltava resolver em campo, quando as relações azedaram, logo foram rompidas.

Viveu bons momentos com a seleção

Viveu bons momentos com a seleção

Disputou duas Copas, campeão como coadjuvante, perdeu enquanto protagonista, campeão da Copa das Confederações, – em sua melhor aparição com a camisa verde e amarela -, foi o auge do meia, de 2004 a 2006, conseguiu brilhar por clube e seleção, venceu individual e coletivamente, período mais  vitorioso de uma carreira cercada de troféus. Está entre os grandes do futebol mundial por toda genialidade já apresentada, autor de inúmeros golaços, excelente batedor de faltas, nem tão bom para cobrar pênaltis, afinal havia algo em que ele não era superior aos demais.

Agora que a carreira está chegando ao fim, as atuações se tornarão só história, cercada de brilhos e polêmicas, de gols dentro de campo e prorrogações fora dele, Ronaldinho escreveu sua história como um grande jogador de futebol em um mundo de “super atletas”, dá tempo de viver mais coisas, mas nunca a aposentadoria pareceu tão possível. A mágica acabou, ficou o truque, quando parar que reste o mestre, no toque de Midas, em que tudo vira ouro, tudo virou festa, festa de gols, festa de taças, fez valer a máxima de “swing, balanço, praia e carnaval”, mas também fez do campo seu habitat, confirmando o futebol como instinto natural.

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Amante do esporte, presente em uma das tantas curvas da highway. Mineiro, acima de tudo Cruzeiro. Fã de futebol rápido, não necessariamente rasteiro. Acredita na Copa do Mundo como momento máximo do esporte.

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