O resultado em si foi tão improvável quanto a forma como ocorreu o quarto gol do Atlético-MG naquele fatídico 29 de abril de 2007, data do primeiro jogo da grande final do Campeonato Mineiro. O Cruzeiro, favorito por poder jogar por dois resultados iguais em razão da melhor campanha no primeiro turno, padecia perante um Galo mais interessado e obstinado a reconquistar uma taça que já não vinha desde 2000. Os de preto, corriam; os de azul, caminhavam.

O primeiro tempo foi um aquecimento para o que seria visto na etapa final. Nos 45 minutos iniciais, nenhum gol, mas a pressão atleticana era visível e obrigava Fábio a se tornar personagem do jogo – pelo menos até aquele instante, de uma forma positiva. O Mineirão, lotado de atleticanos esperançosos por um ano melhor depois de uma temporada na série B, empurrava ainda mais para frente o já ofensivo Galo, que tinha nos animados Éder Luís e Danilinho as alternativas de velocidade, e haja velocidade, para empurrar o rival goleira adentro.

galegoNo primeiro lance do segundo tempo, quando o ponteiro ainda não havia dado no relógio uma volta completa sequer, Éder Luís incorporou o centroavante que nunca foi e testou firme no centro da área para conferir justiça ao placar: 1×0 Atlético. A porteira, senhoras e senhoras, estava, naquele instante, declaradamente aberta.

Mas demorou para vir mais. Antes disso, o Cruzeiro omisso e desinteressado teve lampejos de lucidez sobretudo nos pés de Guilherme – que mais tarde viria a brilhar no rival -, levando perigo ao gol de Diego em uma ou outra ocasião. Só que a tarde vestia preto e branco e tinha uma crista na cabeça. Aos 36 da segunda etapa, Danilinho foi autor de uma pintura. Ao receber um precioso lançamento de Tchô, ele invadiu a grande área e deu um lençol no goleiro Fábio antes de completar para dentro e marcar 2×0.

O melhor ficou para o final. Aos 44, Marcinho fez 0 terceiro do Galo em um pênalti inquestionável de Fábio. Irritado, o goleiro cruzeirense esbravejou contra o que ousasse passar por sua frente no ínterim entre a comemoração do gol e o reinício de partida. Quando virou de costas para voltar à meta e retirar das redes a bola do gol, o jogo já estava rolando e Vanderlei, nada bobo, roubou a redonda da defesa celeste e se viu ele, a bola e Fábio, de costas para o lance. Aí, ficou fácil. Estava feito o quarto gol de uma das formas mais bizarras que o Mineirão já viu, e que nenhuma linha terá tanta precisão de contar como o vídeo abaixo.

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