Muitos anos atrás, em meados da década de 1980, na Inglaterra, começava um sonho, uma grande jornada. O escocês Alex Ferguson, que viria a se tornar Sir, era contratado pelo poderoso Manchester United.

 

Sir Alex é um dos treinadores mais vitoriosos da historia, mas jamais teria obtifo tanto sucesso no Brasil (Foto: MUFC/ Reprodução)

Sir Alex é um dos treinadores mais vitoriosos da historia, mas jamais teria obtifo tanto sucesso no Brasil (Foto: MUFC/ Reprodução)

 
Esse sonho durou quase 30 anos, mas se fosse no Brasil não teria durado 8 meses. Sir Alex Ferguson demorou 3 temporadas para ganhar seu primeiro título como treinador dos Red Devils. E a partir dali não parou mais de colecionar taças.

No Brasil, no começo de 2015, outro sonho teve início. O também estrangeiro, dessa vez uruguaio, Diego Aguirre assumiu o comando do Internacional, um também grande clube, mas com uma mentalidade totalmente diferente do também vermelho Manchester United.

Diego Aguirre chegou muito contestado, mas foi ganhando seu espaço... (Foto: Anderson Kblo/ Internacional)

Diego Aguirre chegou muito contestado, mas foi ganhando seu espaço… (Foto: Anderson Kblo/ Internacional)

Diego, assim como todo técnico estrangeiro que chega a qualquer clube brasileiro, foi muito contestado. Porém, com o tempo, Aguirre foi conhecendo o plantel, reconhecendo seus erros e evoluindo cada vez mais o time do Internacional.

Aguirre foi campeão gaúcho, em cima do maior rival, fazendo o colorado jogar o fino da bola. Eram apenas quatro meses de trabalho. O clube continuou bem, evoluindo, e chegou à semifinal da Copa Libertadores. Então veio a Copa América e o sonho começou a desmoronar. A má sequência no brasileiro, atrelada a grande rotatividade do plantel campeão gaúcho, fez a opinião pública enlouquecer.

O colorado caiu na Libertadores, mas o sonho continuou existindo e as esperanças se mantinham. Mas enfim o sonho acabou. Diego Aguirre foi demitido hoje pela manhã e não é mais técnico do Internacional. Aguirre, e sua comissão técnica, dão adeus ao Internacional três dias antes de um clássico Gre-Nal, algo bastante arriscado.

...até que o sonho acabou (Foto: Jeremias Werneck)

…até que o sonho acabou (Foto: Jeremias Werneck)

Muito se especula sobre a demissão de Aguirre. Alguns acreditem ser pela final da Libertadores, outros simplesmente pelo mau momento, apesar de ser uma quinta-feira, quatro dias depois do último jogo, um empate. Mas a especulação que mais me parece ter sentido é a hipótese de Aguirre ter sido demitido por não aceitar a demissão do seu preparador físico, Fernando Pignatares.

Contudo, por mais cabeça dura que tenha sido Diego Aguirre, e por mais prejudicial que poderia ser a presença do preparador na comissão, a decisão da direção colorada escancara a total falta de planejamento e de confiança dos clubes brasileiros em seus próprios projetos.

Aguirre foi contratado para revolucionar a maneira de se ver futebol no Brasil. Chegou muito contestado, mas conseguiu mostrar seu trabalho, até certo ponto. No entanto, faltou respaldo da direção colorada.

O uruguaio tinha a desconfiança vindo de dentro e de fora do clube, desde a sua chegada. Uma pena, pois essa era a chance de começarmos a mudar o futebol brasileiro. Temos ainda Osório, no São Paulo, que tem uma mentalidade muito parecida com a de Diego Aguirre e pode ajudar no começa da mudança de mentalidade dos clubes e de seus adeptos. Entretanto, sendo realista e analisando o históricos dos clubes, dificilmente continuaremos vendo esses treinadores por aqui.

Outro bom exemplo é a demissão de Marcelo Oliveira do Cruzeiro. Depois de ser bicampeão brasileiro, consecutivamente, o treinador, ao passar por um momento não tão bom, é demitido. Todo o histórico e toda a capacidade anteriormente demonstradas foram, como em um passe de mágica, esquecidas e/ou jogadas no lixo.

A falta de planejamento e confiança é latente e é um dos pontos de maior deficiência do futebol brasileiro, que está em uma, cada vez mais acentuada, decadência. Precisamos acreditar no que nos é proposto por mais que hajam percalços.

Vai ser difícil, e todos nós sabemos, pois o vício no ultrapassado, a recorrente tentativa de fazer dar certo algo que já se mostrou errado, ainda estão entranhadas na mentalidade dos nossos clubes, mas essa mudança de mentalidade é necessária para que consigamos diminuir o 7 a 1 e, gradativamente, evoluir no campo de jogo.

About The Author

Adrian Pavoni
Diretor-Executivo e Colunista

Amante da liberdade, de esportes e da vida. Cityzen e Sapucaiense. Estudante de Jornalismo da PUCRS.