Sob fogos vermelhos e brancos, Buenos Aires anoiteceu, tomada pelo maior torneio da América Latina, a capital argentina viveu um grande espetáculo, na final o River Plate, gigante argentino e candidatíssimo à taça, empurrado pelos 62 mil fanáticos, presentes, e por mais milhões espalhados por toda a Argentina e pelo planeta. Contra o bom Tigres, o River fez valer a festa e jogou sua vida, o Monumental respondeu como havia de ser, pulsou como se não houvesse outra chance e não houve, os Millionarios não precisaram e nem precisarão de uma segunda chance para escreverem a história ao seu modo.

Na epopeia construída pelo River, tudo foi como tinha de ser, no Monumental em chamas, os pecados alvirrubros foram exorcizados. Nesse mesmo estádio, apoiado pelos mesmos torcedores, o River sofreu a mais dura queda de sua história centenária, rebaixado à segunda divisão nacional em 2012, o clube precisou remontar-se e o fez com maestria, apenas três anos depois, o topo do futebol sul-americano é seu. Seu e de todos que estavam no dia da queda, mas seguiram firmes para acompanhar o retorno triunfal.

Campeão argentino, Campeão da Copa Sul-Americana e Campeão da Recopa, desde 2014, o River só levanta taças, mas faltava a glória maior, a Copa Libertadores da América. No início favorito, no decorrer da fase de grupos azarão, quase eliminado em Monterrey, o River venceu sua primeira partida na competição, apenas na despedida da fase de grupos, suficiente para avançar à fase final, no mata-mata, os Millionarios repetiram 2014 e foram heroicos para eliminar o Boca, desta vez com a batalha em La Bombonera, fizeram o milagre para eliminar o Cruzeiro em pleno Mineirão, foram fortes contra o surpreendente Guaraní e monumentais contra o Tigres, – seu quase carrasco na fase inicial -.

Não houve pressão que os amedrontassem

Não houve pressão que os amedrontassem

Para a conquista da América, o River resgatou seus ídolos, Marcelo Gallardo, campeão em 1996, como atleta, o ex-meia, agora na função de treinador, conduziu o clube ao título, Lucho González e Saviola, antigos ídolos, retornaram para ajudar o clube, se não com grandes participações em campo, mas fundamentais fora dele, o atacante Saviola, campeão como “gandula” e torcedor há 19 anos, pôde ter a alegria enquanto atleta de seu clube do coração. O atacante Cavenaghi, revelado no River, também retornou, ele que havia voltado ano passado, teve a honra de ser o capitão da equipe na partida e em sua terceira despedida, erguer a taça de campeão sul-americano ao lado do goleiro Barovero.

Se o River perdeu o craque da campanha, Téo Gutiérrez, no meio do ano, o jovem Alario, contratado junto ao Colón, abriu o marcador e começou a festa, Carlos Sánchez, uruguaio e decisivo em todas conquistas, marcou o segundo gol para garantir a taça, querendo confirmar que seria tri, Funes Mori fechou o caixão mexicano, festa exuberante de um estádio que não se segurava de tanta emoção. Após o inferno da segunda divisão, a libertação veio em forma de taças, Libertadores da América, não que o River nunca houvesse sido libertado, pela terceira vez alcançou o feito, mas na prisão na qual foi trancado só esse feito poderia consagrá-lo.

A taça nas mãos dos Millionarios

A taça nas mãos dos Millionarios

O estádio Antonio Vespucio Liberti, localizado no bairro de Belgrano, – onde fica o clube que rebaixou o River -, e apelidado pelo nome de Núñez, – bairro vizinho -, honrou sua alcunha de Monumental, o maior estádio da Argentina ferveu, pulsou e jogou. Maior que o River na competição, só sua torcida, que representada pelos 62 mil presentes, foi fundamental para a vitória, a história que começou a ser escrita com a queda em Núñez, alcançou seu auge, – até então -, no mesmo local. Forte. Heroico. Monumental.

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Amante do esporte, presente em uma das tantas curvas da highway. Mineiro, acima de tudo Cruzeiro. Fã de futebol rápido, não necessariamente rasteiro. Acredita na Copa do Mundo como momento máximo do esporte.