Fim de temporada na Europa, várias transferências marcam o velho continente, mas duas despedidas chamam a atenção do público, Iker Casillas e Xavi Hernández deixaram o futebol espanhol e os clubes os quais defenderam por toda sua carreira, as saídas já eram esperadas, ambos perdiam espaço em seus clubes, o Barcelona soube lidar melhor com seu ídolo que o Real Madrid, mas ambos saem com um legado gigantesco em seus respectivos clubes e pela seleção nacional, a qual tanto honraram nos anos pelos quais à defenderam.

Apesar, de ter deixado o Real, Iker continuará próximo, o goleiro seguirá na Península Ibérica, mas defendendo o Porto e ainda disputando jogos de alto nível no cenário europeu, já Xavi atuará no futebol do Qatar e terá menos exigências técnicas, o que não significa que ele não apresentará um bom futebol. A dupla que viveu a maior rivalidade da Europa, também brilhou pela Espanha, campeões da Europa, – duas vezes -, e campões mundiais, o goleiro como capitão e barreira intransponível, já o meio-campista como peça-chave na manutenção do tiki-taka espanhol que encantou e dominou o planeta por quase oito anos.

Dupla campeã de tudo pela seleção

Dupla campeã de tudo pela seleção

Pelo Real Madrid, Casillas conquistou três UEFA Champions League, dois títulos mundiais de clubes e inúmeras taças nacionais, colocou-se, – certamente -, como o maior goleiro da história merengue, além disso, acumulou prêmio de melhor goleiro do planeta por cinco temporadas consecutivas. Personagem importante na história do Real, o arqueiro sempre esteve presente nos momentos decisivos, apesar de alguns momentos conturbados, se manteve firme na meta madridista. Já Xavi, sempre teve mais tranquilidade no Barça, campeão europeu por quatro vezes, duas vezes campeão mundial e detentor de incontáveis títulos locais, não foi menos genial, um dos melhores jogadores da história catalã, o meia venceu tudo que era possível e notabilizou-se por ser o cérebro de um dos maiores times da história do esporte.

Os dois viveram muito intensamente a rivalidade Guardiola x Mourinho, a qual elevou o clássico Barcelona x Real Madrid às alturas, ambos venceram jogos e taças nesse período incrível, o Barça levou mais, mas o Real sempre incomodou. Esse duelo transcendia o campo de jogo e colocava frente à frente filosofias distintas, era Categorias de base x Galáticos, Posse de bola x Velocidade, Messi x CR7, Catalunha x Madrid, ou seja, nada era igual entre os clubes e a Espanha ferveu com esse duelo, foi nesse período que a seleção teve a melhor geração de sua história e se foi campeã de tudo muito se deve a dupla Casillas e Xavi, que souberam deixar as brigas e vaidades da dupla rival apenas para os clubes, e criaram um bom ambiente na seleção, jogadores como Sergio Ramos, Piqué e Xabi Alonso souberam deixar a rivalidade do clássico fora da seleção.

Xavi-Casillas

Rivais nos clubes, companheiros pela Espanha

A saída da dupla marca o fim de uma “Era de atletas” que brilharam pelo futebol espanhol, os dois conduziram gerações vitoriosas, tanto em seus clubes quanto por sua seleção, juntos venceram o Mundo e a Europa, possuem sete títulos de UEFA Champions League somados e diversos prêmios individuais, pela primeira vez na carreira, vestirão outras camisas, o ciclo acabou simultaneamente, como havia de ser. Tanto Real quanto Barça já dão seus primeiros passos sem os ídolos e o futuro parece farto, a Espanha ainda se reformula e busca “substitutos” à altura.

Se alguns dizem, à alguns jogadores que não venceram a Copa do Mundo, como Zico, Platini e Cruyff, a célebre frase “azar da Copa”, para estes dois, Casillas e Xavi, azar de ninguém, nem deles, nem de nada que eles disputaram, tudo que à eles foi proposto, por eles foi vencido. Seja no Camp Nou ou no Santiago Bernabéu, os dois estão no hall dos grandes ídolos da história, sob as traves ou no meio-campo, mas sempre com suas glórias.

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Amante do esporte, presente em uma das tantas curvas da highway. Mineiro, acima de tudo Cruzeiro. Fã de futebol rápido, não necessariamente rasteiro. Acredita na Copa do Mundo como momento máximo do esporte.