Vou admitir, leitor: eu não queria a contratação do atacante Dudu pelo Palmeiras.

Eu não gosto do Dudu. Na minha opinião, ele é um Maikon Leite um pouco mais tatuado e valorizado. Quando eu assistia aos jogos do Grêmio, que era raro, porque eu não gosto do Grêmio (lá no Rio Grande do Sul eu sou Juventude até morrer), eu via o Dudu jogar, via a galera pagar pau para ele, via outra parte da torcida pedindo para que ele saísse porque era ruim de bola, e eu só pensava… na verdade não pensava nada, porque eu não dava a mínima para o Dudu em campo.

Não era um jogador que me chamava a atenção. Quando 2014 acabou e começaram a movimentações nos bastidores dos clubes, o São Paulo foi o primeiro a mostrar interesse junto do Corinthians, então fui procurar saber um pouco mais sobre quem era o Dudu, cobiçado pelos grandes de SP. Assisti alguns vídeos e, novamente, não me surpreendi. Um jogador normal. “Danilo dá de 10! Até o Pato joga melhor. O Ganso é melhor do mundo perto desse cara”, eu dizia, sozinho, sentado à frente do computador.

Eis que o Palmeiras, na sua fúria para provar que era grande, deu um clássico chapéu e contratou Dudu, deixando São Paulo e Corinthians a ver navios. Eu admito: sozinho, no meu quarto, na frente do computador, eu fiz uma expressão clássica de infelicidade. Eu sabia que a contratação de Dudu era muito mais pela rivalidade do que pelo futebol.

Eu não gosto do Dudu. O Palmeiras não precisava do Dudu. Deixasse ele ir pro Corinthians ou São Paulo. Contratasse outros! Cirino! Como gosto do Cirino! Mas a contratação de Dudu foi o pedaço de bolo que a diretoria do Palmeiras quis dar para a torcida. “Tá aí, torcedor palmeirense. Essa é aquela contratação que vocês vão poder usar eternamente para zoar os rivais. O Dudu escolheu o Palmeiras. Deixamos São Paulo e Corinthians no chororô”. Mais ou menos isso.

Mas o chapéu que o Dudu deu no Palmeiras foi infinitamente melhor. Eu zombei meus amigos corintianos e são-paulinos na época, pois cai no efeito e causa que a diretoria palmeirense queria causar. Mas eu sabia, e sabia bem, que o Dudu não acrescentaria nada ao Palmeiras.

Dudu pega a bola, olha para a frente, abaixa a cabeça e corre. Corre. Corre. Corre como se não houvesse amanhã. E nunca há amanhã. Nunca há amanhã e nunca há gol. Dudu é o Maikon Leite mais tatuado e valorizado.

Contra o Santos, Dudu perdeu o título pelo Palmeiras. “É errado jogar a culpa nas costas de um jogador. E o coletivo?”. Coletiva é o caramba! O pênalti perdido no primeiro jogo só não foi tão sentido porque ganhamos por 1 a 0, mas imagina 2 a 0 de vantagem para o Santos tirar no segundo jogo? Marcar três gols no Palmeiras não é fácil, ainda mais na atual fase. Se não bastasse, Dudu foi expulso no segundo jogo, deixou um clima desagradável dentro de campo e o Palmeiras perdeu o título paulista que estava praticamente ganho.

O Palmeiras é grande. É grande demais! Muito grande para a pequenez de Dudu, que é simplesmente um Maikon Leite mais tatuado e valorizado, mas eu já disse isso, não é?

Estou igual aquelas pessoas que tentam contar uma notícia importante, mas começam a tropeçar nas palavras, deixando todo mundo sem entender nada. Enfim, resumindo… que belo chapéu, Dudu.

About The Author