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Dribles humilhantes, arrancadas, golaços históricos… Isso está cada vez mais difícil de se ver. O futebol ousado está perdendo espaço no novo mundo da bola. Se antes aplaudíamos Ronaldinho driblando seis defensores em sequência, hoje aplaudimos os gols construídos por jogadas coletivas. Se antes aplaudíamos as humilhantes canetas de Ronaldo, um chapéu de Neymar hoje chega a ser considerado ofensivo e desnecessário. Seria o fim da arte do improviso?

Talvez sim. A imprevisibilidade e a mística estão sendo deixadas de lado. Hoje, é essencial ter um sistema tático bem definido e jogadas previamente ensaiadas. Não que isso seja ruim, mas o futebol parece robótico. Deixa o jogador programado, acaba bloqueando a criatividade do atleta. O futebol das decisões em segundos é cada vez mais raro. Tudo parece ter que ser programado, como uma peça teatral. Podemos tomar como exemplo os melhores do mundo Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Não é preciso um estudo elaborado para sabermos que, de 10 gols do argentino, 7 são de cavadinha com lançamento de Iniesta, driblando o goleiro ou chute colocado a meia altura. De 10 gols do gajo, 7 são chutes de fora da área ou pênaltis. De forma alguma estou dizendo que os dois são jogadores ruins por isso. A gente sabe que os dois já marcaram seu nome na história. Mas é chato quando o futebol se torna previsível.

Leitor, lembra aquele tempo em que o Ronaldinho reinava? Todo gol era de um jeito diferente. Arrancada desde o meio de campo, bicicleta, chute no ângulo, falta perfeita… Era algo imprevisível. E todo jogo era um gol novo. Modéstia à parte, a gente sabe que só quem faz isso são os sul-americanos, sobretudo os brasileiros. Ronaldinho, Rivaldo, Romário, Ronaldo, Kaká… Nem estamos falando de muito tempo atrás. Hoje, só quem chega perto dessa improvisação é Neymar (e mais nos tempos de Santos, quando o jogador não era refém de um sistema tático). Claro, isso vai muito além da nacionalidade do jogador. Vem desde a base.

Vai onde mesmo, fera? (Foto: Getty Images)

Os esquemas táticos estão aí pra engrandecer e melhorar o futebol, a gente sabe. Mas as equipes não precisam ser reféns do sistema. Jogador habilidoso serve pra furar bloqueios defensivos, rasgar defesas. E se a tática for engolida, quem salva? A grande sacada é aliar o futebol sul-americano ao europeu. O improviso à tática, a raça ao padrão objetivo… O que não se pode fazer é proibir um jogador de ousar.

O show tem que continuar.

About The Author

Henrique Chaparro

Diretor-geral dos sites QQD e Falando de Premier League. Criou o QQD em 2013 e não parou mais. Torce para Internacional acima de tudo e vai com a cara do Liverpool. No FIFA 17, gosta de jogar clássicos argentinos. Acredita que o rei do futebol é brasileiro.