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Na cidade de Manchester, na Inglaterra, durante o século XVII, era possível encontrar uma imensidade de mariposas brancas, enquanto as pretas eram mais raras. Por causa de liquens de coloração branca cobrindo os troncos das arvores, essas mariposas eram mais aptas a camuflagem nesses locais, enquanto aquelas de cor negra morriam comidas por pássaros, justamente por não conseguirem se proteger. Com a Revolução Industrial inglesa, esses liquens nos troncos das árvores passaram a morrer, devido a poluição do ambiente. Resultado: as mariposas pretas passaram a ser mais vistas na região, uma vez que os troncos das árvores, sem o liquen branco, tornou-se escuro. As brancas, sem lugar para se camuflar, morreram mais cedo, devido a predadores, deixando menos filhotes. Por fim, a população de mariposas pretas representava 98% do total. Esse é um exemplo clássico da Seleção Natural, proposta pelo cientista Charles Darwin, no livro “A origem das espécies”.

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Exemplificação das mariposas de Manchester: QuatroQuatroDois também é biologia!

Voltando ao século XXI, algo semelhante aconteceu nessa mesma cidade. Após duas temporadas jogando ao lado de Robin Van Persie, Wayne Rooney se viu numa situação complicada. O Manchester United, clube onde atua desde 2004, anunciou a vinda de Falcão Garcia, badalado atacante colombiano. A vinda do último representava para “Shrek” (apelido de Rooney no United, devido a semelhança física) a passagem de atacante para meio-campista, visto que sua posição de origem tornou-se extremamente disputada por dois atletas de altíssimo nível, além dele. Portanto, o camisa 10 do time vermelho viu-se obrigado a jogar recuado. O ambiente ao seu redor alterou-se, prejudicando-o. Mas mal sabia ele que tinha habilidade para se adaptar tão facilmente.

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Rooney no início da temporada: mesmo com a chegada de Falcão Garcia, foi escolhido para ser o capitão do time.

O United começou a temporada jogando com Rooney no ataque. Entretanto, a medida que Falcão e Van Persie foram entrando no time titular, ele foi recuado. O time sentiu essa mudança no primeiro jogo que isso ocorreu: o United, após estar ganhando por 3 a 1, toma 4 gols e perde por sonoros 5 a 3 para o Leicester City. O inglês jogou algum tempo como um meia ofensivo, um “atacante recuado”. Deixava seus golzinhos e algumas assistências. Mas ainda longe do Rooney de velhos tempos. No jogo contra o Southampton, pela BPL, ele foi escalado como um meia central, atuando longe do ataque, devido a problemas de lesões. Foi também quando o técnico do United, o holandês Luis Van Gaal, começou a implantar o sistema do começo da temporada, o 3-5-2. Mesmo tendo sua formação criticada, van Gaal bancou ela, incluindo o uso do atacante Rooney como quase um volante, uma vez que continuou sendo escalado ali. Não foi tão mal assim. Fornecia uma excelente saída de bola e ligação defesa-ataque para o United. Jogou belíssimos jogos na posição.

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Rooney como meia central: quase um volante.

Porém, a mudança de Manchester não parara por aí. Com a má fase dos dois homens da frente (Van Persie e Falcão), combinado a um horrível momento de Angel Di Maria, uma das contratações do clube, o treinador holandês mudou de formação. O criticado 3-5-2 usado por Van Gaal, mesmo com Rooney jogando ótimos jogos, foi trocado por um 4-1-4-1, com Rooney voltando a posição de atacante. A mudança fez bem ao time, e principalmente: fez bem a Wayne Rooney. Desde que Lois Van Gaal trocou de formação e colocou o atacante inglês no seu local de origem, o time está invicto, e vive seu melhor momento na temporada. Rooney atravessa grande fase novamente, dessa vez goleadora.

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Rooney comemorando o gol marcado contra os Spurs: a nova formação lhe permitiu jogar como atacante.

 

Rooney passou pelos dois tipos de Manchester: aquele que quando o time pedia meio-campistas ele se destacou, mesmo sendo um atacante, e, também, aquele que quando o time pedia atacantes ele voltou ao seu “estado natural”. Pode se dizer que Rooney é uma “mariposa-camaleão”. Quando os troncos eram brancos, ele conseguia se camuflar. Quando os troncos se tornaram pretos, Rooney mudou de cor, feito um camaleão, e adaptou ao local. Porém, os troncos tornaram-se brancos de novo, e Rooney, ao perceber isso, alterou a cor de seu corpo, podendo sobreviver no ambiente.

Pelo que parece, Wayne Rooney é imune a seleção natural do mundo do futebol.

 

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Cruzeirense, além de torcedor do Ajax e do Bornemouth. Sofro pouco ou não?