Fala, colorado! Quem aí tá cansado da imprensa gaúcha, que só vem criticando o trabalho do líder do Gauchão e do líder empatado em pontos do Grupo 4 na Libertadores? Eu imagino que a resposta seja sim, e eu digo que também estou de saco cheio. Nunca foi um desses que vive falando “mídia azul”, “imprensa tricolina” e outros adjetivos. Mas dessa vez tá demais e extremamente evidente. Uma vitória do Inter por 1 a 0 é sofrida, uma do Grêmio é com sobras, com várias chances.

E parece que o Aguirre tá puto com isso também. Quando comentou o “caso Fabrício” (já vamos chegar lá) hoje, disse: “Poderíamos estar aqui falando de futebol ou de minha demissão”. O cara tem o apoio de grande parte da torcida, é evidente isso. E não é por acaso. Tá bonito de ver a maioria da torcida resistir à pressão da imprensa, isso nunca se viu antes por aqui.

Enfim, vamos falar sobre o jogo de ontem – e iminentemente sobre Fabrício. Falando da partida, foi um bom resultado e uma boa atuação da equipe. Dourado se afirma como titular e Alisson mostra a cada jogo que é um dos melhores goleiros do Brasil. O time jogou compactado, sem dar sustos na defesa e eficiente no ataque. É bem verdade que o gol só veio de pênalti, mas foram muitas chances coloradas. E o Inter tem que melhorar nesse quesito. Quando aparece a chance, tem que guardar.

Os três pontos vieram, somos líderes do Gauchão jogando pelo menos a metade dos jogos com os reservas, tudo bem. Mas agora vamos falar de Fabrício. O lateral-esquerdo estava no ataque, na ponta da grande área. Sem opção, ele voltou a jogada e esperou a chegada de D’Alessandro. No mesmo momento, a torcida vaiou o jogador, que reagiu da forma mais inesperada possível: parou de jogar, apontou o dedo do meio pra torcida e mandou todo mundo tomar no cu (literalmente). A atitude rendeu um cartão vermelho para Fabrício e comemoração da torcida com a expulsão.

Peço que o torcedor deixe o lado passional para analisar o ocorrido comigo. Antes de tudo, a torcida do Inter anda muito chata ultimamente. É sério. Eu, como torcedor, vou pro estádio cantar, bater palma e apoiar. Não existe um motivo plausível pra vaiar o time no ataque. Eu mesmo já reclamei dele aqui no Blog do Colorado, mas não faria isso em hipótese alguma. Tirando a Popular, a maior parte das arquibancadas não canta e só reclama. Além dos ingressos, esse é o maior exemplo de “elitização do futebol”. Nada que tenha justificado a atitude, mas se a torcida fosse menos chata, nada disso teria acontecido. E eu sei que as vaias só surgiram porque era o Fabrício. Se fosse o D’Alessandro no mesmo lance, ninguém ousaria reclamar. Reclamem menos e cantem mais.

(Foto: Zero Hora)

Tirando tudo isso, é evidente que a atitude foi simplesmente ridícula. Apesar de eu não concordar com elas, as vaias devem ser absorvidas pelo jogador. Isso é quase um pré-requisito básico pra ser profissional. E mesmo que fosse pra reclamar, mostrar o dedo do meio pra torcida é uma das coisas que não podem ser feitas em nenhuma circunstância. Sobre a permanência dele, acho que o jogador deve sair. Não por que eu quero, mas sim por que não existe mais clima pra ele depois disso. Ou ele só poderia jogar fora de casa. Além disso, será melhor pra ele e pro time a saída. Fabrício vai tentar reencontrar o bom futebol que um dia já se viu nele em outro lugar, e o Inter vai se livrar de um cara que não deve render mais no time.

No mais, faço das palavras do D’Alessandro as minhas. Saudações coloradas!

PS: um grande abraço pro amigo Júnior Brenner!

About The Author

Henrique Chaparro

Diretor-geral dos sites QQD e Falando de Premier League. Criou o QQD em 2013 e não parou mais. Torce para Internacional acima de tudo e vai com a cara do Liverpool. No FIFA 17, gosta de jogar clássicos argentinos. Acredita que o rei do futebol é brasileiro.