Estamos assistindo momentos e atitudes mudarem, e alguns diriam que é um momento triste no futebol: a extinção do one-club man.  Longe vão os dias de Gerrard e Totti que permaneceria no seu clube independente se enchesse sua prateleira de troféus ou não, se destacaram por seus clubes nos bons e maus momentos, apesar de inúmeras ofertas que lhe rendessem maiores projeções e dinheiro.  É um momento triste para os fãs de futebol.

Da direita para esquerda: Totti, Puyol, Giggs e Rogério Ceni.

Da direita para esquerda: Totti, Puyol, Giggs e Rogério Ceni.

Costumam dar a vida pelos seus clubes, naturalmente se tornam lendas; alguém que os fãs poderiam cantar músicas sobre até depois de sua morte. No futebol moderno temos alguns exemplos como Maldini, que vestiu a camisa do Milan por 25 anos e tendo ainda como um feito considerável ter o respeito dos torcedores da Inter de Milão, que revelou uma bandeira mostrando o seu respeito por ele em seu último jogo derby, uma ocorrência rara. Outros nomes como Giggs, Tony Adams, Puyol, Carragher, Scholes, os brasileiros Marcos e Rogério Ceni (recordista de partidas por um único clube e ainda em atividade), entre tantos outros.

tifosi Inter-Milan

A a torcida da Inter de Milão deixou de lado a pequenez dos ataques irracionais tão comuns nos estádios e exibiu uma faixa em que se lia a frase: “Maldini, em campo 20 anos nosso rival, mas na vida sempre um adversário leal”.

Algumas décadas atrás esse tipo de jogador era muito comum, mas tornou-se uma escassez no futebol moderno. Existe um número pequeno de jogadores world class que só tenham servido a um único clube. Tornou-se aceitável assistir jogadores como Robin Van Persie deixar o clube que os torcedores apoiaram por anos, mesmo com lesões atrás de lesões, apenas para que possa sair e ganhar uma medalha da Premier League em outro lugar. Em contra partida são descobertas lealdades incríveis, dando como exemplo o Gerrard ao recusar ofertas do Chelsea e Real Madrid, a fim de permanecer no seu clube de infância.

No futebol moderno, tanto clube como jogadores têm removido a lealdade da equação e acrescentou a linha dinheiro. Este ano vimos o Chelsea liberar um dos maiores jogadores de sua história, Frank Lampard. O inglês muitas vezes declarou o seu desejo de permanecer no clube e se aposentar vestindo a camisa dos Blues. Agora temos uma visão, um tanto, inimaginável de Frank Lampard no azul do Manchester City marcando contra seu antigo clube.

Frank Lampard após marcar contra o Chelsea.

Frank Lampard após marcar contra o Chelsea.

É difícil crescer em uma época em que até jogadores como Frank Lampard são agora considerados excesso a exigência. É difícil ouvir as pessoas em torno de você se acostumar com a ideia de vender jogadores formados quando eles sentem que podem fazer um lucro fora deles.

Torcedores de todas as equipes compreende a dor de vender um jogador, que até aquele momento havia dedicado toda a carreira ao clube, apenas caminhar ou, em alguns casos, ser empurrado para fora. Temos o exemplo do Manchester United com Welbeck.

Embora não seja um exímio jogador, Welbeck é um jovem rapaz, nascido e criado em Manchester, que chegou a equipe profissional através da academia, para jogar por seu clube de infância. No ínicio ele mostrou um grande potencial e ganhou apoio de grande parte dos torcedores do Machester United, mas quando a situação ficou crítica, o clube decidiu que não havia mais espaço para o jovem atacante. Lendas do clube como Paul Scholes e Gary Neville se mostraram insatisfeitos com a venda do atleta, por exemplo. Sentimos que este é um exemplo do que está errado com o futebol. Quando você tem um jogador em um clube de alto nível , é deixado de lado porque o clube só os enxergam como excedente quando eles têm poder financeiro suficientes para contratar Falcao.

A extinção do one-club man é uma evolução triste do negócio do futebol e que ninguém esperava que viria. Os clubes e jogadores devem lembrar que é o amor dos torcedores é o maior prêmio de todos. O prêmio que será realmente lembrado e valorizado para as gerações vindouras.

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