Que Cruzeiro e Atlético Mineiro há anos atrás estavam brigando para não serem rebaixados para a segunda divisão do Brasileirão não é novidade para ninguém. Os times em 2011 ocuparam, ao término do campeonato, a 16ª e 15ª posição, respectivamente. De lá pra cá, houve uma mudança na mentalidade e na formação das equipes. Tanto é que, a partir de 2013, o futebol brasileiro passou a ser tomado pelas campanhas vitoriosas dos rivais mineiros.

Longe de querer fazer qualquer análise sobre quais foram essas mudanças que ocorreram para que o futebol mineiro ficasse em alta novamente, estarei analisando os dois últimos anos das equipes mineiras e mostrando que a força que advém das categorias de base de ambos os clubes ajudou muito nas grandes campanhas recentes.

Começarei falando sobre o Atlético:

Marcos Rocha (2013-2014): Considerado por muitos o melhor lateral-direito em atividade no Brasil, começou no Bela Vista, um clube local de sua cidade natal (Sete Lagoas). Foi para as categorias de base do Atlético em 2006 e foi promovido ao profissional em 2008. Entre empréstimos e negócios, foi destaque no América-MG em 2012, e retornou ao Atlético em 2013. Foi destaque do time na campanha vitoriosa da Taça Libertadores. Em 2014,  foi coroado como melhor lateral-direito do Brasileirão pela CBF e pelo troféu Bola de Ouro da ESPN/Placar.

Bernard (2013): Nascido na capital mineira, iniciando seu futebol no Comercial E.C de Belo Horizonte, figurou as categorias de base do Atlético, até ser emprestado para o Democrata-SL. Retornou ao Atlético em 2011 porém apenas a partir de 2012 começou a ter destaque no clube, marcando dois gols na final do mineiro contra o América. Em 2013 o garoto deslanchou e a história todo mundo sabe, recebeu vários prêmios, entre eles o Craque do Brasileirão da CBF, no qual o jogador foi eleito o jogador revelação da competição.

Jemerson (2013-2014): Começou no Confiança-SE, mas integrou as bases do Galo entre 2010 e 2012, até ser emprestado ao Democrata-SL. Voltou e ser integrado ao elenco atleticano em 2013. Em 2014, alcançou seu auge Com a lesão de Réver, supriu bem a ausência do capitão atleticano, e foi titular absoluto na segunda metade da temporada.

Lucas Cândido (2013-2014): Nascido no triângulo mineiro, Lucas Cândido só vestiu a camisa do Atlético Mineiro até hoje. Volante de origem, se tornou titular absoluto improvisado na lateral-esquerda na campanha do clube no Brasileirão de 2013.

Guilherme (2013-2014): Esse jogador é um caso curioso. Não jogou nas categorias de base do Atlético-MG, mas entra na lista por ter sido jogador da base do maior rival. Foi destaque na Libertadores pelo clube atleticano, ao marcar o gol contra o Newell’s Old Boys que classificaria o Galo para a grande final. Em 2014, atuou menos, mas não deixou de marcar gols importantes pela equipe atleticana, como contra o Flamengo.

Carlos (2013-2014): Destaque apenas em 2014, o menino Carlos caiu nas graças da torcida ao marcar dois dos três gols da vitória alvinegra sobre o Cruzeiro, em pleno Mineirão.

Alex (2013-2014): Promovido aos profissionais do clube em 2013, foi pouco aproveitado. Porém, em 2014 atuou muitos jogos como titular, substituindo Marcos Rocha quando lesionado. Outras vezes, atuou improvisado na lateral-esquerda. Bom jogador, que chegou a ser questionado pelos torcedores, mas sempre teve o aval dos treinadores.

Dodô (2013-2014): Assim como vários outros jogadores na equipe atleticana, foi promovido aos profissionais em 2013, mas destacou-se apenas em 2014. Fez 4 gols no Brasileirão 2014 em 9 jogos.

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Cruzeiro:

Alex (2014): Zagueiro pouco utilizado, subiu aos profissionais em 2014. Jogou apenas 3 jogos. Contudo, possui um grande potencial e pode ser destaque futuramente.

Wallace (2013-2014): Se destacou na campanha vitoriosa do Cruzeiro no Brasileirão sub-20, em 2012. Jogou na seleção sub-20 em 2013 e foi promovido ao profissional do Cruzeiro. Em 2014, jogou 7 jogos pela equipe celeste, todos como titular, até ser vendido ao Braga, por 9,5 milhões de euros.

Mayke (2013-2014): Promovido ao elenco do Cruzeiro em 2013, já possui 2 títulos de campeonato brasileiro com apenas 22 anos. Está sempre revezando com o experiente Ceará na lateral-direita do time de Marcelo Oliveira. Em 2013, foi eleito pela bola de prata ESPN/Placar como o melhor lateral-direito do campeonato brasileiro.

Alisson (2014): Alisson foi campeão do Brasileirão sub-20 em 2012, assim como Wallace, e suas atuações nesse campeonato o levaram ao profissional do Cruzeiro em 2013. Entretanto, foi emprestado ao Vasco, onde teve poucas chances, mas se destacou com sua velocidade, habilidade e qualidades nos passes. Retornando do empréstimo em 2014, a promessa jogou todas competições pela Raposa. Nem sempre foi titular. Marcou gol no rival Atlético. Apesar do sucesso, teve lesões que o comprometeram na temporada. Promessa grande para 2015.

Lucas Silva (2013-2014): Chegando nas equipes de base do Cruzeiro aos 14 anos, o menino Lucas Silva foi promovido aos profissionais da equipe em 2012. Foi emprestado ao Nacional, retornou ao clube em 2013 e foi aproveitado por Marcelo Oliveira, se tornando titular absoluto da equipe. Em 2014, foi eleito o Craque do Brasileirão na posição de primeiro volante pela CBF, além de receber o prêmio da Bola de Prata da ESPN/Placar. No fim de 2014, recebeu sondagens do Real Madrid, mas o Cruzeiro rejeitou as propostas. Os espanhóis devem tentar levar o volante no meio da temporada 2015 (no calendário brasileiro).

Judivan (2014) – Apelidado de Judivan Persie, o garoto foi reprovado nos teste pelo Grêmio e São Paulo, antes de também ter sido dispensado da base do Cruzeiro, em 2008. Voltou a ser aprovado no clube mineiro em 2010. Promovido ao profissional em 2014, mas sem muitas chances, jogou como titular contra a Chapecoense e deu a assistência para o primeiro e único gol do Cruzeiro, numa linda jogada, com direito pedalada, drible e cruzamento com a perna esquerda (que não é a perna boa). Contra o Fluminense, entrou bem no segundo tempo e fez boas jogadas. É uma grande promessa para 2015.

Observações Extras:

– Elber (Cruzeiro) e Leleu (Atlético) não foram citados por não terem participado ativamente da campanha dos títulos de seus clubes.

– Judivan, apesar de ter participado de partidas oficiais só no fim do último Brasileirão, é uma grande promessa que tem grandes chances de estourar em 2015, por isso foi citado.

– Bruno Rangelli é centroavante e é também uma grande promessa. Está jogando a Copa São Paulo de Futebol Junior pelo time cruzeirense e deve jogar ao lado dos profissionais mais vezes em 2015.

Análise:

Somados as campanhas de 2013 e 2014 de ambos os clubes, temos no total 17  jogadores (incluindo os extras) que foram aproveitados pelos dois clubes. No caso do Galo, Marcos Rocha e Bernard praticamente deixaram de ser promessa e se tornaram realidade. Ambos foram estrelas e destaques importantíssimos na campanha vitoriosa da Libertadores, em 2013. Jogadores como Dodô e Carlos tem grande potencial para serem futuros titulares e possíveis artilheiros, com um ótimo faro pra gol. Citados quatro jogadores “promessa realidade” e “promessa ouro” , o Atlético ainda possui cinco jogadores que já foram integrados ao elenco profissional, que podem obter uma maior projeção no futebol profissional a partir desse ano.

Por outro lado, o Cruzeiro teve Lucas Silva e Mayke como promessas que estão cada vez mais próximos de deixarem de ser chamados de promessa e passarem a ser realidade. Wallace foi vendido e não vem sendo muito bem aproveitado no Braga, porém trouxe um enorme rendimento financeiro ao clube celeste. Elber foi emprestado (novamente na atual temporada). Alisson, se não se lesionar muito, pode brigar por titularidade na equipe celeste. Bruno Rangelli e Judivan, as outras duas jóias da base, podem render em 2015, caso tenham oportunidade.

Cruzeiro e Atlético conseguiram promover muitos jogadores que foram destaques em suas campanhas vitoriosas. Claramente, não são os únicos responsáveis por tamanha precisão e eficiência em seus títulos, mas esses jogadores foram peças importantes e muitos ainda estarão disponíveis para seus respectivos clubes aproveitarem em 2015. Quem sabe daqui alguns anos não ouviremos nomes como Lucas Silva, Mayke, Carlos e Dodô na seleção brasileira? Ainda é cedo pra fazer qualquer previsão, mas é bom ficar de olho.

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